REUTERS/George Frey
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Em novo estudo, cloroquina não apresenta efeitos significativos no combate à covid-19

Pesquisa da Universidade de Minnesota não encontrou benefícios do medicamento no tratamento do novo coronavírus, mas também não concluiu efeitos colaterais graves

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2020 | 07h28

Um novo estudo da Universidade de Minnesota com mais de 800 pacientes não encontrou nenhum benefício no uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no combate ao novo coronavírus. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira, 4, e também não apontaram para efeitos colaterais graves ou problemas cardíacos com o uso dos medicamentos.

No primeiro grande estudo que comparou a hidroxicloroquina a um placebo para avaliar seu efeito contra o novo coronavírus, os pesquisadores testaram 821 pessoas que haviam sido expostas à doença recentemente ou viviam em uma casa de alto risco. Ele descobriu que 11,8% dos indivíduos que receberam hidroxicloroquina desenvolveram sintomas compatíveis com covid-19, em comparação com 14,3% que receberam placebo. Essa diferença não foi estatisticamente significante, significando que a droga não era melhor que o placebo.

"Nossos dados são bastante claros de que, para a pós-exposição, isso realmente não funciona", disse o Dr. David Boulware, pesquisador principal do estudo e médico de doenças infecciosas da Universidade de Minnesota.

Vários testes do medicamento foram interrompidos devido a preocupações sobre sua segurança no tratamento do covid-19, levantadas por órgãos reguladores de saúde e estudos anteriores menos rigorosos. "Acho que os dois lados - um lado que está dizendo 'isso é uma droga perigosa' e o outro lado que diz 'isso funciona' - estão incorretos", disse Boulware. Os resultados também foram publicados no New England Journal of Medicine.

A hidroxicloroquina - que possui propriedades anti-inflamatórias e antivirais - inibiu o vírus em experimentos de laboratório. Mas esse tipo de teste em humanos é necessário para demonstrar definitivamente se os benefícios do medicamento, se houver, superam os riscos quando comparados a um placebo.

Os defensores do medicamento argumentam que ele precise ser administrado em um estágio inicial da doença para ser eficaz. Outros sugeriram que ele precisa ser usado em combinação com o zinco mineral, o que pode ajudar a impulsionar o sistema imunológico.

Mais de 20% dos sujeitos do estudo também tomaram zinco, que não teve efeito significativo. A Food and Drug Administration (FDA, na sigla original, órgão regulador equivalente à Anvisa brasileira) dos Estados Unidos alertou no final de abril contra o uso de hidroxicloroquina em pacientes com doença cardíaca devido a um risco aumentado de perigosos problemas do ritmo cardíaco.

Na terça-feira, 2, a revista médica britânica The Lancet disse ter preocupações com os dados de um artigo influente que descobriu que a hidroxicloroquina aumentou o risco de morte em pacientes com covid-19, uma conclusão que prejudica o interesse científico pelo medicamento. Boulware foi um dos signatários de uma carta aberta de médicos que chamou a atenção para possíveis problemas com esse estudo.

Alguns governos europeus baniram a hidroxicloroquina para pacientes com coronavírus e os hospitais dos EUA reduziram significativamente seu uso. No estudo da Universidade de Minnesota, 40% dos que tomaram hidroxicloroquina relataram efeitos colaterais menos graves, como náusea e desconforto abdominal, contra 17% no grupo placebo. / REUTERS

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