WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Em PE, mães criticam demora em resultado de teste do vírus zika

Mulheres falam em 'falta de respeito' do governo do Estado; exame de coleta de líquido cefalorraquidiano é considerado invasivo

Luísa Martins, O Estado de S. Paulo

02 Março 2016 | 03h00

Com casos concentrados de microcefalia, o Estado de Pernambuco é alvo de queixas em relação aos diagnósticos. Os resultados de um exame a que foram submetidos, de outubro a dezembro, quase cem bebês com microcefalia em Pernambuco ainda não foram entregues às mães, que reclamam de “falta de respeito” do governo do Estado. Considerado invasivo, o procedimento de coleta de líquido cefalorraquidiano (LCR) detecta anticorpos recentes contra o vírus zika, comprovando que os fetos foram infectados.

“Nenhuma mãe recebeu o resultado do exame de seu filho. Isso é de uma profunda falta de respeito: fazer um exame invasivo numa população acometida de um defeito congênito grave do sistema nervoso e nem sequer providenciar o resultado”, diz nota encaminhada às autoridades pela Associação de Mães e Famílias Raras (Amar), da qual faz parte o grupo União de Mães de Anjos (UMA), formado por mães de bebês com microcefalia. Em laboratórios privados, o exame volta ao paciente em até uma semana. 

O líquor - líquido que age como um protetor mecânico e lubrificante do sistema nervoso central - é colhido na região posterior do pescoço ou na lombar, por meio de uma punção com agulha descartável, cujo diâmetro pode chegar a 0,8 milímetros. Conforme médicos ouvidos pelo Estado, o exame tem alta precisão para diagnosticar processos infecciosos do sistema nervoso, como citomegalovírus e meningites. 

As mães suspeitam que o índice de casos da má-formação relacionados ao zika seja baixo e, por “não combinar com a versão de que o vírus seria responsável pelo surto de microcefalia”, os testes estariam demorando para retornar. 

A Secretaria da Saúde de Pernambuco informa, no entanto, que foram detectados anticorpos IgM - que sinalizam a fase aguda da doença - em 67 das 83 amostras de LCR testadas pelo Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, da Fiocruz. Ainda faltam testar amostras de outros 12 bebês. Os reagentes para as análises foram fornecidos pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. “É importante esclarecer que os testes sorológicos realizados não estão disponíveis na rotina dos laboratórios nacionais”, afirmou a secretaria, que não apresenta uma justificativa para a demora ou um prazo para a entrega dos resultados à mães. 

Outras demandas. As mães pernambucanas, na carta aberta da UMA, levam outras demandas ao governo. Solicitam a adoção, por exemplo, de um órgão que preveja atendimento multidisciplinar domiciliar às crianças. A UMA pede também passe livre para mães de pessoas com doenças raras, mais emprego para essas mulheres e um programa de suplementação de ácido fólico, “importante nutriente para o sistema nervoso do feto”.

O governo de Pernambuco informou que recebeu a carta e está discutindo “ponto a ponto, no sentido de trabalhar, junto ao governo federal, para criar uma rede que dê segurança às famílias”.

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