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Em Roraima, adolescente de 15 anos é o primeiro índio yanomami a morrer de coronavírus

Morte foi registrada como Síndrome Respiratória Aguda; órgão que cuida da saúde indígena na região acredita que infecção da etnia é eminente por estar próxima à rota de exploração de minério

Cyneida Correia, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2020 | 12h35

BOA VISTA (RR) - O adolescente indígena Alvanei Xirixana Pereira, de 15 anos, morreu na noite desta quinta-feira, 9, após ter sido diagnosticado com coronavírus. Este é o primeiro caso de morte na etnia Yanomami. O jovem deu entrada no Hospital Geral de Roraima com quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e seu primeiro teste para a covid-19 deu negativo. O segundo, no entanto, confirmou que ele tinha o vírus. A assessoria de comunicação do governo de Roraima confirmou o óbito do adolescente, que estava na UTI desde o início da semana. 

O estudante morava na aldeia Rehebe, às margens do rio Urariquera, no município de Alto Alegre e estudava na cidade, vivendo na casa de uma liderança indígena. Com o avanço da epidemia no estado e a suspensão das aulas, ele teria voltado para a aldeia de origem, mas se sentiu mal e foi encaminhado para o hospital com falta de ar, dor no peito, febre e dor de garganta.

O Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami também confirmou a morte do adolescente, mas disse que, no atestado de óbito, a morte foi registrada como Síndrome Respiratória Aguda Grave. O Ministério da Saúde disse, em nota, que não foi informado sobre a causa da morte de Alvanei e que ainda não há confirmação de mortes de indígenas no país em razão da covid-19.

Este é o primeiro indígena no estado a ser diagnosticado com a covid-19. Ele era morador da Comunidade Boqueira, oriundo da Comunidade Rehebe, e havia passado um período na Comunidade Boqueirão, quando teria apresentado os primeiros sintomas. Em nota, a Fundação Nacional do Índio (Funai) lamentou a morte. Segundo o órgão, equipes de saúde já ingressaram no local para auxiliar no mapeamento daqueles que mantiveram contato com o jovem, além de realizar o isolamento do grupo para melhor acompanhamento. 

A Funai informou também que fornecerá o necessário, como alimentação e combustível, para facilitar o atendimento das equipes de saúde no monitoramento dos sintomas e possibilitar a permanência dos indígenas na aldeia.

Segundo o Estado apurou, o Distrito Sanitário Yanomami, que cuida da saúde indígena, acredita que a infecção do povo yanomami pela covid-19 é eminente, já que a população está exposta a fatores de risco por meio do contato próximo com a sociedade não-indígena.

O local onde o jovem vivia é uma rota de grande trânsito de pessoas não-indígenas por conta da exploração de minério na região. As entradas para as aldeias indígenas de Roraima foram fechadas após a confirmação do caso. O prefeito do município de Alto Alegre, Pedro Henrique Machado (PSD), fechou as entradas da cidade. 

Até essa quinta, Roraima registrou 63 casos positivos de covid-19. Além deste jovem em Alto Alegre, são 56 infectados na capital Boa Vista, três em Bonfim e três no Cantá.  

 

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