Em São Paulo, farmácias de manipulação são autuadas em 45% das inspeções

Em 2011, 122 estabelecimentos foram interditados; no interior do Estado, inspeções são mais raras

Sara Duarte - Especial para o Estado,

25 de dezembro de 2011 | 22h00

SÃO PAULO - Das 615 inspeções feitas neste ano em farmácias de manipulação da cidade de São Paulo, 45,3% resultaram em autuação, segundo dados da Coordenação Municipal de Vigilância em Saúde da Capital (Covisa), responsável pela fiscalização.

A Prefeitura afirma que as autuações ocorreram por causa de "práticas incorretas de manipulação, principalmente quanto aos medicamentos controlados, e à ausência de efetivo controle de qualidade".

Entre as farmácias autuadas, 122 ficaram interditadas até que as irregularidades fossem resolvidas. Ainda de acordo com dados da Covisa, há apenas 15 profissionais para inspecionar as 600 farmácias do gênero em toda a capital paulista.

Regulamentada há 70 anos no País, a técnica de manipulação de medicamentos voltou a ser alvo de questionamentos, com a notícia de que um vermífugo produzido em farmácia em Teófilo Otoni (MG) com uma substância errada é suspeito de ter intoxicado e matado dez pessoas (mais informações nesta página).

De acordo com o farmacêutico Hélder Francisco Garcia, da rede Unipharmus, que tem 11 unidades na capital, o Conselho Federal de Farmácia determina que cada estabelecimento tenha um técnico responsável de plantão e seja submetido a inspeções periódicas.

"Aqui na capital, nós recebemos a visita dos fiscais da Covisa pelo menos uma vez por ano, mas em cidades do interior é mais raro. Por isso, é comum que um mesmo profissional supervisione farmácias em diferentes cidades", diz.

Em Teófilo Otoni, cidade com certa de 130 mil habitantes, onde existem cerca de 60 farmácias de manipulação, há apenas 12 farmacêuticos especializados na área, conta Luciano Evangelista Moreira, da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), que representa as 7 mil farmácias de manipulação existentes no País.

Cuidados. O vice-presidente da Anfarmag, Ivan Teixeira, afirma que o consumidor precisa estar atento ao adquirir remédios feitos em farmácias de manipulação. "Ao contrário dos remédios industrializados, que são padronizados e feitos em grande quantidade, os manipulados são produzidos especialmente para cada paciente", lembra. "Por isso, deve-se recusar fórmulas preparadas com antecedência e sem receita."

Segundo Teixeira, o farmacêutico deve ler a receita na frente do paciente e preparar o medicamento na hora, respeitando as quantidades específicas receitadas pelo médico. "Além disso, uma farmácia não pode receber medicamentos da outra nem comercializar um produto sem antes submetê-lo ao controle de qualidade", diz.

É função do farmacêutico conferir as matérias-primas na hora em que chegam do fornecedor e acompanhar todas as etapas da produção, para evitar contaminação ou troca de produtos, explica Garcia, da Unipharmus.

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