FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Em SP, 326 mil crianças são vacinadas contra sarampo e pólio no 1º dia de campanha

Meta é imunizar 562.392 crianças de 1 ano a menores de 5 anos na capital paulista até 31 de agosto; campanha foi antecipada no Estado de São Paulo e no restante do País terá início no dia 6 de agosto

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2018 | 18h40
Atualizado 04 Agosto 2018 | 19h51

No primeiro dia da campanha nacional de vacinação contra sarampo e poliomielite, foram aplicadas 326.535 mil doses de vacinas em todo o Estado de São Paulo: 164.952 crianças foram imunizadas contra poliomielite e 161.583 contra sarampo. No Estado, a meta é vacinar 2,2 milhões de crianças até o dia 31 de agosto contra as doenças. 

O mutirão nacional foi antecipado no Estado de São Paulo. No restante do País, a campanha tem início na próxima segunda-feira, 6, com meta de vacinar 11,2 milhões de crianças até o dia 31. 

Nas primeiras seis horas deste sábado, 4, a cidade de São Paulo atingiu 7% da meta: 40.837 doses foram aplicadas. Das 8 horas às 14 horas, segundo balanço parcial da Prefeitura de São Paulo, 20.681 foram imunizadas contra poliomielite e 20.156 receberam a tríplice viral, que inclui a imunização contra sarampo.

A meta na capital paulista é imunizar 562.392 crianças de 1 ano a menores de 5 anos. O mutirão deste sábado teve início às 8 horas e se encerrou às 17 horas. Um balanço total do primeiro final de semana será divulgado nesta segunda-feira, 6.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, não há registro de casos de paralisia infantil em no Estado de São Paulo há 30 anos e, desde 2000, não existem casos autóctones de sarampo no território paulista.

O País não registrava casos de poliomielite desde 1989 e não contabilizou casos de sarampo nos anos de 2016 e 2017. Já neste ano, até 1° de agosto, segundo balanço do Ministério da Saúde, foram registrados 1.053 casos da doença no País. Amazonas e Roraima lideram o número de registros.

Cobertura vacinal

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, atualmente, a cobertura vacinal de poliomielite em no Estado é de 70% e, de sarampo, 74,3%. O levantamento se baseia em dados preliminares do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A capital, no ano passado, teve cobertura de 84,8% para a vacina contra a poliemielite e de 86,1% para a vacina tríplice viral SRC (sarampo, rubéola e caxumba).

As coberturas abaixo da meta, que é de 95%, fizeram com que o Ministério Público do Estado de São Paulo abrisse um inquérito para apurar a situação.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) acompanhou o primeiro dia de vacinação na UBS Dr. Geraldo da Silva Ferreira e disse que a Prefeitura está trabalhando para que a meta seja alcançada.

"É a força-tarefa para a gente vacinar pelo menos 95% das crianças. Estamos antecipando a campanha para ter mais uma possibilidade de os pais levarem as crianças para vacinar e trazendo a Secretaria (Municipal) de Educação para que as escolas possam mostrar para os pais a importância de levar os filhos para vacinar."

Nesta semana, a gestão municipal anunciou que as creches vão verificar a situação vacinal das crianças não somente no ato da matrícula, mas duas vezes por ano.

O esquema vacinal para poliomielite é composto por três doses administradas aos 2, 4 e 6 meses, sendo necessários dois reforços aos 15 meses e aos 4 anos de idade. Já a imunização contra o sarampo é feita por meio da vacina tríplice viral, que protege também contra rubéola e caxumba. O esquema vacinal é de uma dose aos 12 meses, com um reforço aos 15 meses.

Para a campanha, os mais de 4 mil postos de vacinação fixos e 300 volantes distribuídos pelo Estado vão funcionar entre 8h e 17h durante este sábado.

Possíveis falhas

Mesmo crianças que já tomaram as doses das vacinas contra sarampo e poliomielite vão precisar participar da ação. O objetivo é corrigir possíveis falhas vacinais e garantir a imunização contra as doenças. Não existe um intervalo mínimo entre as doses da vacina contra a poliomielite. No caso do sarampo, não deve tomar a vacina quem recebeu o imunizante nos últimos 30 dias. 

Alerta

Em junho, o Ministério da Saúde fez um alerta sobre o risco de retorno da poliomielite em ao menos 312 cidades brasileiras, das quais 44 estão no Estado de São Paulo, com base na baixa cobertura vacinal registrada nesses locais - que não chegou a 50%, quando a meta é 95%. Em 2017, pelo menos 800 mil crianças estavam sem o esquema completo de vacinação, composto por três doses do imunizante.

Dados divulgados pelo Unicef e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as taxas de vacinação aumentam no mundo, mas caem no Brasil há três anos.

Perguntas e respostas sobre o sarampo

Como se pega o sarampo?

O sarampo uma doença viral e contagiosa. Segundo Filipe Piastrelli, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o paciente adquire a doença por partículas respiratórias e nem sempre quem transmite está com sintomas. "O vírus pode entrar pela conjuntiva do olho ou pelas mucosas, começa a se multiplicar e chega à circulação sanguínea, quando atinge o maior potencial de transmissão."

Quais são os sintomas?

O primeiro é a febre, que quase todos os pacientes têm. Depois de um ou dois dias, tem início um quadro com tosse, coriza e conjuntivite. Só depois aparecem as lesões na pele. "A incubação dura de sete a 21 dias, mas a pessoa começa a transmitir cinco dias antes de aparecerem os sintomas e continua transmitindo por cinco dias", explica o infectologista do Sabará Hospital Infantil Francisco Ivanildo de Oliveira Júnior.

Como é feito o diagnóstico?

Por exames clínicos e laboratoriais.

Se for confirmado que o paciente está com sarampo, ele deve ficar isolado?

Sim. Como é uma doença contagiosa, ele deve evitar o contato com outras pessoas e, caso receba visitas, elas devem usar máscaras.

A vacina é eficaz para evitar a doença? Em quanto tempo ela começa a fazer efeito?

"É uma vacina boa, com mais de 90% de eficácia. A proteção plena vai ocorrer de dez a 14 dias", diz Oliveira Júnior.

Qualquer pessoa pode tomar a vacina?

Não. Assim como a vacina da febre amarela, ela é feita com vírus vivo atenuado. Ela não é recomendada para gestantes, bebês com menos de 1 ano e pacientes imunodeprimidos. "A primeira escolha é fazer a vacina, se a pessoa tem alguma contraindicação, faz a imunoglobulina, que tem anticorpos formados e reduz formas graves da doença", explica Piastrelli.

Quantas doses devem ser tomadas? 

Tanto o Ministério da Saúde quanto a Organização Mundial da Saúde recomendam duas doses durante a vida. No Brasil, as doses são aplicadas com 12 e 15 meses de vida. Caso a pessoa só tenha tomado uma dose, deve tomar a segunda até os 29 anos. Se nunca tomou até essa idade, só será necessário tomar uma dose entre os 30 e os 49 anos.

A pessoa deve tomar a vacina se perdeu a caderneta e não sabe se foi imunizada?

Sim. As doses recomendadas devem ser tomadas pelo paciente.

Pessoas que tiveram contato com pacientes infectados também são beneficiadas pela vacina?

Se tomada até 72 horas após o contato, a vacina é capaz de reduzir formas mais graves da doença. Mas as ações de bloqueio sempre devem ser realizadas.

Fontes: Filipe Piastrelli, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; Francisco Ivanildo de Oliveira Júnior, gerente de qualidade e do serviço de controle de infecção hospitalar do Sabará Hospital Infantil; Ministério da Saúde; Organização Mundial da Saúde

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