Em Taiwan, até 70% das crianças e adolescentes precisam de óculos

Miopia tem origem genética e ambiental, sobretudo pelo uso excessivo de TV e computador

Efe

26 Novembro 2010 | 21h50

TAIPÉ - A miopia é um distúrbio universal, mas em alguns países adquire proporções incomuns, como em Taiwan, onde 70% das crianças e dos adolescentes precisam usar óculos em algum momento, segundo dados da Direção Geral de Saúde.

De acordo com o Ministério da Educação local, 45% dos estudantes do primário são míopes, e a proporção aumenta para 69% no ensino médio, para então chegar a 70%.

Para perceber a dominância da miopia na região, basta um passeio nas ruas para observar que a maioria das pessoas usa óculos ou lentes de contato. Como consequência, a ilha também é o reino das óticas. "Aqui perto, em um raio de 100 metros, temos seis", diz a gerente de uma delas, na capital, Taipé.

O número de óticas chama a atenção de turistas estrangeiros, que aproveitam a viagem para comprar óculos e lentes, dada a grande variedade no mercado e o preço reduzido, por causa da concorrência. "Há óticas em cada esquina, é algo incrível", afirma a estudante latino-americana Nelly García, que vive na cidade.

Um turista holandês conta que pagou 30% do preço pelos mesmos óculos que pagaria em seu país. "O serviço é excelente e fica pronto em poucas horas", revelou.

As explicações do fenômeno de predomínio de miopia na ilha se centram em fatores genéticos e ambientais, sobretudo nas longas horas de aprendizagem da complicada língua chinesa e no excesso de tempo na frente de videogames e computadores.

Na televisão, há muito tempo se anunciam ervas medicinais que combatem e previnem a miopia, e nas consultas se prescrevem colírios e suplementos dietéticos, mas as estatísticas não apontam melhoras significativas.

Alguns especialistas, cansados das receitas tradicionais, recomendam simplesmente que as pessoas fiquem de 2 a 3 horas sob a luz do sol e evitem passar o dia sob luzes artificiais.

Na Austrália e em outros países ocidentais onde a proporção de míopes vai de 15% a 30%, observa-se com surpresa a situação em Taiwan, Hong Kong, China, Japão e Coreia, com até 90% da população com esse distúrbio.

"Um estudo genético internacional realizado em mais de 13 países apontou que existe um gene-chave que favorece a miopia", declarou em artigo acadêmico David Mackey, do Lions Eye Institute da Austrália.

Os fatores ambientais também contribuem, segundo especialistas. "A miopia se estende e intensifica cada vez mais com o uso dos computadores", afirmou à Agência Efe o doutor Lin Chia-lung, que trata universitários em Taipé. Já a aluna Fátima Chang culpa as más condições em que os taiwaneses estudam.

Quase 90% das crianças da região vão ao oftalmologista, e os médicos lhes pedem que passem menos tempo em frente à televisão e ao computador, sobretudo nas férias. "Crianças e adolescentes ficam enclausurados dentro de casa com seus jogos e não saem às ruas durante as férias. Assim, a visão deles piora", explicou o doutor Liao Chang-pin, do Centro Oftalmológico Shu-tien, em Taipé.

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