FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Em um ano, número de casos de dengue triplica na capital paulista

Calor e armazenamento de água por causa da crise hídrica são razões para o aumento de registros, segundo Prefeitura

Fabiana Cambricoli e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2015 | 12h48

Atualizado às 22h16

SÃO PAULO - O número de casos de dengue registrados na capital paulista, nas três primeiras semanas de janeiro, quase triplicou em relação ao mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira, 4, pela Secretaria Municipal da Saúde. O armazenamento de água limpa, medida adotada por algumas pessoas para enfrentar a crise hídrica, foi apontado pela administração municipal como uma das razões para o crescimento dos casos.

O maior acesso à água limpa favorece a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. O calor típico dessa época do ano também contribui para a proliferação do vetor, afirma a Prefeitura.

De acordo com os dados da secretaria, entre 4 e 24 de janeiro, três primeiras semanas epidemiológicas do ano, foram 120 casos confirmados da doença, ante 45 no mesmo período de 2014. No entanto, o número deve aumentar porque já foram notificados 1.304 registros de pacientes com suspeita de contaminação. No mesmo período do ano passado, houve 495 notificações.

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Nesse ritmo de alta, a secretaria estima que a cidade de São Paulo possa enfrentar situação crítica em 2015, com até 90 mil casos de dengue. No ano passado, quando a capital paulista já bateu recorde de casos e mortes, houve 28.995 pacientes infectados e 14 óbitos.

“Estamos diante de uma crise hídrica. A população está armazenando água, mais na periferia do que no centro da capital. Se essa água não for coberta, a possibilidade desses reservatórios se transformarem em focos de mosquito é gigantesca”, disse o secretário municipal de Comunicação, Nunzio Briguglio Filho. A Prefeitura não divulgou o número de casos por bairro do Município, mas informou que a maioria dos pacientes contaminados está na zona norte da cidade.

Cuidados. O secretário adjunto da Saúde, Paulo Puccini, afirmou que a população deve tomar alguns cuidados ao estocar água. “Não há problema em armazenar a água para enfrentar a falta dela. Mas tem de tampar ou pôr uma tela no recipiente. Não adianta só usar cloro porque não mata a larva do mosquito”, disse.

O infectologista David Lewi, do Hospital Albert Einstein, diz que mesmo com pouco volume de chuvas é possível que o mosquito se prolifere. “O Aedes não precisa de grandes quantidades de água, ele pode se reproduzir em um pequeno volume depositado em vasilhames. Com esse armazenamento pela população, a situação da dengue se agrava”, observa.

Doença “prima” da dengue e transmitida pelo mesmo mosquito, a chikungunya também preocupa. Desde o início do ano, no entanto, não foi registrado nenhum caso autóctone (de transmissão dentro da cidade). Foram apenas três casos importados.

Medidas. A Prefeitura diz que, diante do cenário preocupante, reforçou o trabalho dos 2.500 agentes de zoonoses da cidade, “com ações de visita porta a porta, grupos de orientação e ações de combate nos locais de grande concentração de pessoas”. Afirma, no entanto, que os moradores devem ficar atentos aos possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti no ambiente doméstico, como pratos de vasos de plantas, que devem ser preenchidos com areia; piscinas, que devem ser tratadas com cloro e cobertas; e caixas de água, que não devem ficar destampadas.

A Secretaria da Saúde estuda ainda instalar tendas de emergência nos bairros mais afetados pela doença para fazer o atendimento dos infectados. No ano passado, uma tenda do tipo foi montada ao lado da unidade de saúde do Jaguaré, zona oeste, distrito mais afetado pela doença.

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