Embriões de casais britânicos podem ter sido doados sem permissão

Centenas de zigotos podem ter sido implantados em mulheres, em Barcelona, sem consentimento dos donos

Efe

22 Julho 2010 | 14h29

LONDRES - Centenas de embriões de casais britânicos que se submeteram a tratamentos de fecundação in vitro em uma clínica de Barcelona poderiam ter sido implantados no útero de outras mulheres sem consentimento dos donos, informou nesta quinta-feira, 22, o jornal Daily Telegraph.

Segundo o jornal, os embriões restantes de tratamentos de fecundidade eram doados a outras mulheres quando o casal do qual descendiam não respondia às cartas da clínica ou não tinha negado expressamente a possibilidade de uma doação dos zigotos.

Esse sistema de doações infringe a legislação britânica, segundo a qual os pacientes devem dar consentimento explícito para que seus embriões sejam doados ou utilizados em pesquisas.

No Reino Unido, os filhos provenientes de embriões restantes têm direito a conhecer suas origens biológicas ao completar a maioridade (assim como os pais podem conhecê-los), ressalta o jornal.

Cada vez mais casais britânicos viajam ao exterior para se submeter a tratamentos de fertilidade, sobretudo se necessitam de óvulos ou esperma de doadores, já que é mais fácil consegui-los em países como a Espanha.

Segundo o Telegraph, desde 2004 a clínica Institut Marques de Barcelona, acusada de ter doado os embriões sem o consentimento dos pais, teria tratado 317 casais britânicos, dos quais só 26 tinham sido contra a doação e 114 não teriam concretizado o que fazer com os embriões.

Cada casal costuma deixar dois ou três embriões sem usar, por isso centenas de zigotos estariam disponíveis para serem implantados, o que costuma resultar no nascimento de uma criança em 40% dos casos.

O programa de "adoção internacional" realizado pela clínica barcelonesa deu lugar, segundo o jornal britânico, ao nascimento de mais de 460 bebês que agora vivem em países diferentes aos dos casais doadores, para minimizar os riscos de contato entre as crianças e os pais biológicos.

A clínica envia cartas anuais aos casais que se submeteram a tratamentos de fertilidade para que decidam o que fazer, mas, segundo o diretor do Intitut Marques de Barcelona, Juan Álvarez, "em muitos casos os casais não se decidem, porque assinar esses documentos costuma gerar conflitos emocionais, por isso que no final é a equipe médica do centro que toma a decisão por eles".

Os embriões são implantados nos úteros de mulheres da mesma raça e, ao ser a própria mãe a dar à luz, o bebê figura como biológico legalmente, não como adotado.

Pelo menos 20 mulheres, quatro delas britânicas, receberam embriões por esse sistema.

No Reino Unido, em 2007, só 221 dos 1,5 mil casais que se submeteram a tratamentos de fertilidade decidiram doar os embriões restantes, já que a maioria prefere reservá-los para uso próprio.

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