Cesar Lopes/PMPA
Cesar Lopes/PMPA

Empresários criticam fechamento de grandes lojas e advertem sobre mais demissões em Porto Alegre

Em vigor, decreto vedou abertura de estabelecimentos em shoppings e centros comerciais que faturam mais de R$ 4,8 milhões anualmente

Lucas Rivas, Especial para o Estado

16 de junho de 2020 | 14h39

PORTO ALEGRE - Em vigor desde as primeiras horas da manhã desta terça-feira, o decreto municipal que restringiu a abertura de shoppings, centros comerciais e grandes lojas em Porto Alegre gerou uma enxurrada de críticas do setor varejista. A medida foi adotada pelo prefeito Nelson Marchezan Junior (PSDB), em função do avanço de internações no sistema de saúde da capital gaúcha por causa do novo coronavírus. A intenção é diminuir a circulação de pessoas para frear a propagação de contágio da doença. Na última segunda-feira, 17, , Porto Alegre registrou novo recorde com 79 pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) por complicações provocadas pelo coronavírus. A cidade contabiliza 57 mortos pela covid-19.

Nos shoppings, apenas serviços considerados essenciais, como farmácias, mercados, supermercados, além de pequenos lojistas, indiferente do segmento, podem funcionar. Conforme Marchezan, os estabelecimentos comerciais que faturam mais de R$ 4,8 milhões, por ano, estão impedidos de abrir para o público. Aproximadamente, cinco mil empresas se encaixam nesta categoria. A capital conta com 16 shoppings. Em média, 500 mil pessoas circulam diariamente pelo comércio, desde centros comerciais até lojas de rua.

Para o presidente do presidente do Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas), Paulo Kruse, o novo decreto atingiu os grandes estabelecimentos, que registram os maiores faturamentos para privilegiar os pequenos lojistas. “Não ficamos satisfeitos com o decreto porque são estas grandes empresas que mais empregam e que mais movimentam o comércio, registrando até 50% do faturamento. Da forma como foi editado, entendemos que não foi adequado, pois foi adotado um critério para beneficiar os pequenos em detrimento aos grandes,” criticou.  

Responsável por gerenciar 28 lojas da franquia do Boticário em Porto Alegre, o diretor da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV), Juarez Meneghetti, lamentou ter amanhecido com as portas fechadas. “Foi um absurdo este decreto, pois o prefeito fez uma correlação entre a propagação do vírus e o faturamento da loja, ao invés de fazer uma correlação com o tamanho e localização da loja. Na visão do prefeito, as grandes lojas são as que mais propagam o vírus. O governo não está atacando a causa e sim a conseqüência”, alertou. Meneghetti ressaltou ainda que desde o início da pandemia, em março, a rede que empregava 350 funcionários passou a contar, hoje, com 250 trabalhadores. Segundo ele, com a suspensão das atividades, o agravamento da crise poderá resultar em novas demissões.

Sobre as restrições impostas ao varejo, o secretário extraordinário de Enfrentamento ao Coronavírus de Porto Alegre, Bruno Miragem, explicou que o Executivo adotou a medida com base em dados científicos e que aposta na colaboração de todos para diminuir os impactos provocados pela pandemia tanto na saúde quanto na economia. 

“A princípio notamos a adaptação dos setores que voltaram a se submeter a restrições, respeitando as novas regras estabelecidas. Quanto à fiscalização, devemos intensificá-las para podermos enfrentar este momento decisivo. A autorresponsabilidade que pedimos da população e dos agentes econômicos será acompanhada de um fortalecimento das nossas ações de fiscalização", afirmou.

Na segunda-feira, ao detalhar o teor do novo decreto, Nelson Marchezan Júnior foi taxativo ao afirmar que a volta de algumas restrições buscam evitar que a demanda de saúde extrapole a capacidade de atendimento da rede hospitalar. "Estas novas medidas visam a conter uma evolução descontrolada, o que poderia ampliar o risco de estrangulamento da nossa capacidade de atendimento em saúde. Ainda que indesejadas essas regras são para evitar que pacientes que precisam de leitos fiquem sem atendimento”, pontuou.

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