Empresas interferem em convênio contra fumo, diz ONG

Segundo organização, a América Latina é 'um bom exemplo' de como a indústria do tabaco age contra acordo

Efe

22 de outubro de 2008 | 15h26

As grandes indústrias de tabaco influem e interferem através de distintas táticas na aplicação do Convênio Marco para o Controle do Tabaco, e a América Latina é "um bom exemplo disso", afirmou quarta-feira, 22, a ONG Responsabilidade Corporativa Internacional.   Veja também:  Tráfico de tabaco faz governos perderem US$ 50 bi por ano  Constitucionalidade da lei contra fumódromo divide juristas  Exposição mostra anúncios sobre os 'benefícios' do cigarro   "Este acordo, aprovado em 1999, foi ratificado muito rapidamente por 160 países, protegendo quase 85% da população mundial de um produto que mata a cada ano a 5,4 milhões de pessoas", disse a diretora da ONG, Kathy Mulvey, em entrevista coletiva.   "No entanto, a indústria do tabaco é o maior impedimento para que o público obtenha as garantias para a saúde que contém o Convênio, e as três grandes companhias tabaqueiras - Philip Morris International, British American Tobacco e Japan Tobacco - não devem ser consideradas nunca como aliadas," acrescentou.   Coincidindo com a reunião desta semana em Genebra, a organização expôs os métodos, segundo ela, empregados pela indústria para frear a implementação do acordo.   A América Latina, onde todos os países ratificaram o Convênio Marco exceto Argentina, República Dominicana e El Salvador, é um bom exemplo da interferência das tabaqueiras, afirmou o coordenador de Responsabilidade Corporativa para a região, Yul Francisco Dorado.   Um dos casos, disse, é o de promover "responsabilidade social corporativa" mediante doações a projetos governamentais, como a que fez a Philip Morris há um mês, doando US$ 2 milhões ao Governo colombiano, quando se está debatendo o projeto de lei para a implementação do Convênio", assinalou.   Outro método, afirmou ele, é o de exercer pressões sobre Governos e Parlamentos, de modo que quando um executivo apresenta um projeto de lei, o lobby do tabaco interfere e apresenta o seu, e alguns congressistas os assumem, por isso os conteúdos das leis no final não cumprem os requisitos do Convênio Marco, acrescentou Dorado.   Também se acusa o Convênio Marco de ir contra o livre-comércio, "esquecendo que o direito à saúde está acima de qualquer outra consideração".

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