BBC/Reprodução
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Encontrada evidência mais antiga de flechas

Pontas de pedras encontradas na África do Sul mudam o entendimento sobre homens primitivos

BBC

26 de agosto de 2010 | 12h35

Os cientistas descobriram pontas de pedra de 64 mil anos de idade, que dizem ser provavelmente antigas cabeças de setas.

 

Uma inspeção mais detalhada das armas antigas revelarou vestígios de sangue e de osso, fornecendo pistas sobre como elas foram usadas.

 

A equipe relatam seus resultados na revista Antiquity.

 

As cabeças de seta foram escavadas a partir de camadas de sedimentos antigos na caverna de Sibudu na África do Sul. Foram cavadas as camadas depositadas até 100 mil anos atrás.

 

Marlize Lombard da Universidade de Joanesburgo, que liderou a pesquisa, descreveu a abordagem que ela e sua equipe tomaram como "ciência forense da Idade da Pedra".

 

"Pegamos [as pontas] diretamente do local, em pequenas sacolas [plástica], para o laboratório", disse a BBC News.

 

"Então eu comecei o tedioso trabalho de analisá-las [no microscópio], olhando para os padrões de distribuição de sangue e resíduos de osso."

 

Devido à forma destas "pequenas peças geométricas", a Dra. Lombard foi capaz de ver exatamente onde haviam ocorrido impactos e danos. Isso mostrou que os pedaços muito provavelmente tenham sido as pontas de projéteis - ao invés de pontas afiadas, na extremidade de lanças mão.

 

As cabeças das setas também continham vestígios de cola - uma resina à base de plantas que os cientistas pensam que foi usada para prendê-las em uma haste de madeira.

 

"A presença de cola implica que as pessoas foram capazes de produzir ferramentas compostas - instrumentos onde diferentes elementos produzidos a partir de diferentes materiais são colados juntos para fazer um artefato único," disse a Dra. Lombard.

 

"Este é um indicador de um comportamento cognitivamente exigente."

 

A descoberta empurra para trás o desenvolvimento da "tecnologia do arco e flecha" em, pelo menos, 20.000 anos.

 

Engenharia antiga

 

Os pesquisadores estão interessados em evidências precoces de arcos e flechas, pois este tipo de engenharia de armas mostra as habilidades cognitivas de seres humanos que viviam no momento.

 

Escreveram os pesquisadores em seu artigo: "A caça com arco e flecha exige intricados e múltiplos estágios de planejamento, coleta de material e preparação de ferramentas, e implica uma série de inovadoras técnicas sociais e de comunicação."

 

A dra. Lombard explicou que seu objetivo era responder à "grande pergunta": Quando começamos a pensar da mesma maneira que pensamos agora?

 

"Podemos agora começar a ficar cada vez mais confiantes de que 60-70,000 anos atrás, na África do Sul, as pessoas estavam se comportando, a nível cognitivo, de forma muito semelhante a nós", disse ela à BBC.

 

O professor Chris Stringer, do Museu de História Natural em Londres, disse que o trabalho acrescentou à visão de que os seres humanos modernos na África a 60 mil anos atrás tinham começado a caçar de uma "novo maneira".

 

Neandertais e outros humanos primitivos, explicou, possivelmente foram "predadores de emboscada", que precisavam chegar perto de suas presas, a fim de matá-las.

 

"Mas os longos intervalos no registro posterior de arcos e flechas pode significar que o uso regular destas armas veio muito mais tarde.

 

"Na verdade, o conceito de arcos e flechas podem até ter sido reinventado muitos milênios [depois]."

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