Encontrada mandíbula de primata de 10 milhões de anos

Espécime achado no Quênia está próximo do último ancestral comum entre homens e macacos

Reuters,

13 de novembro de 2007 | 14h17

Pesquisadores descobriram no Quênia uma mandíbula de 10 milhões de anos que supostamente pertence a uma espécie até então desconhecida de grande primata, que pode ter sido o último ancestral comum entre gorilas, chimpanzés e humanos.                                   A equipe nipo-queniana encontrou o fragmento em 2005, junto com 11 dentes, em depósitos de lama vulcânica na região de Nakali, norte do Quênia.                                   A espécie, com um tamanho intermediário entre uma fêmea de gorila e uma fêmea de orangotango, pode ser o "elo perdido" da teoria evolutiva, segundo cientistas quenianos.        "Com base nesta descoberta em particular, podemos confortavelmente dizer que estamos nos aproximando do ponto em que podemos detectar o chamado elo perdido", disse Frederick Manthi, cientista-chefe dos Museus Nacionais do Quênia.                 "Temos de achar mais fósseis em uma variedade de locais para sustentar esta teoria em particular", disse ele em entrevista coletiva.              A espécie recém-descoberta, batizada de Nakalipithecus nakayamai, se alimentava de castanhas, sementes e frutas.                                   "Os dentes estavam cobertos por um grosso esmalte, e as coroas eram baixas e volumosas, sugerindo que a dieta deste macaco consistia de uma quantidade considerável de objetos duros, como nozes e sementes, além de fruta", disse por telefone Yutaka Kunimatsu, do Instituto de Pesquisa de Primatas da Universidade de Tóquio.              "Ele poderia ser posicionado antes da divisão entre gorilas, chimpanzés e humanos", acrescentou.      Kunimatsu explicou que é difícil definir a aparência do Nakalipithecus nakayamai. "Só temos alguns fragmentos de mandíbulas e dentes, mas esperamos encontrar outras partes de corpos nas nossas futuras pesquisas. Planejamos voltar no ano que vem. Vamos tentar encontra ossos abaixo do pescoço para nos dizer como o animal se mexia."                           Publicada na última edição da revista PNAS, a descoberta é significativa por dar credibilidade à teoria de que a evolução até o ponto de divergência entee homens e macacos ocorreu inteiramente na África.                          Até então, havia poucos fósseis africanos datados entre 13 e 7 milhões de anos atrás, o que levou alguns especialistas a cogitarem que o último ancestral comum havia trocado a África pela Europa e a Ásia, para voltar posteriormente.     "Agora, temos um bom candidato na África. Não precisamos pensar que o ancestral comum voltou da Eurásia para a África. Acho que é mais provável que o ancestral comum tenha evoluído a partir dos macacos no Mioceno (20 milhões a 5,3 milhões de anos atrás) na África", afirmou o japonês.                 "Alguns macacos saíram da África e migraram para a Eurásia. Eles então se tornaram orangotangos no Sudeste Asiático. Os orangotangos de hoje evoluíram a partir de macacos que deixaram a África."                                    (Por Katie Nguyen e Tan Ee Lyn em Hong Kong)

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