Jerry Jordan/Reuters
Jerry Jordan/Reuters

Enfermeira com Ebola foi autorizada a viajar com 37,5ºC de febre

Amber Vinson, segunda pessoa a ser infectada por vírus nos EUA, telefonou para autoridades de saúde para informar seu estado

Cláudia Trevisan, Correspondente de O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2014 | 11h44

WASHINGTON -A segunda enfermeira diagnosticada com Ebola nos Estados Unidos foi autorizada pelas autoridades de saúde a embarcar em um avião comercial com 132 passageiros quando já estava com febre de 37,5ºC. A viagem ocorreu menos de 24 horas antes de exames confirmarem que Amber Vinson contraiu o vírus ao tratar de Thomas Eric Duncan, o liberiano que morreu no Texas no dia 8.

Antes de tomar o voo 1143 da Frontier Airlines de Cleveland para Dallas, a enfermeira telefonou para os Centros de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) e recebeu o sinal verde para viajar.

Nesta quarta-feira, 15, o diretor da instituição, Thomas Frieden, afirmou que ela não poderia ter embarcado em um voo comercial. Mas ele ressaltou que o risco de contaminação dos demais passageiros era reduzido, já que Vinson não apresentava outros sintomas da doença, como diarreia e vômito.

Frieden participará nesta quinta-feira, 16, de sessão no Congresso americano sobre os casos de Ebola e deve enfrentar duros questionamentos sobre a reação oficial para conter a doença, que chegou aos Estados Unidos há menos de 20 dias.

A Frontier Airlines anunciou nesta quinta-feira  que seis tripulantes do voo 1143 serão colocados em licença remunerada por 21 dias, o período de incubação do vírus. O possível contato de Vinson com outros estudantes e professores que estavam no avião levou ao fechamento de três escolas no Texas e uma em Ohio, onde fica Cleveland.

As instituições serão desinfetadas e as pessoas que estavam no voo receberão orientação para permanecer em casa durante 21 dias.

Pelo segundo dia consecutivo, o presidente Barack Obama cancelou sua agenda para se dedicar à resposta federal aos casos de Ebola. Desde o início, a reação do sistema de saúde americano foi marcada por uma sucessão de falhas. 

Duncan chegou aos Estados Unidos no dia 20 e procurou o serviço de emergência do Hospital Presbiteriano de Dallas na noite do dia 25. Apesar de ter febre de quase 40ºC e informar que vinha da Libéria, foi dispensado com uma receita de antibióticos. 

A Libéria está no centro da epidemia de Ebola na África Ocidental e registra o maior número de casos do mundo. Duncan só foi internado três dias mais tarde, quando já exibia fortes sintomas da doença, como vômito e diarreia.

Durante seu tratamento, pelo menos duas enfermeiras foram infectadas. Segundo entidade que representa profissionais de saúde, elas não tiveram orientação sobre procedimentos de segurança nem usaram roupas que as protegessem do vírus de maneira apropriada.

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