Luca Piergiovanni/EFE
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Enfermeira infectada com Ebola na Espanha está curada

Teresa Romero foi a 1ª pessoa a contrair o vírus fora da África, depois de tratar o missionário que morreu em decorrência da doença

Tulio Kruse, Especial para O Estado

21 Outubro 2014 | 14h17

Atualizado às  21h21

A enfermeira espanhola Teresa Romero, de 44 anos, que contraiu Ebola ao tratar de um paciente com a doença, está curada, conforme anunciou o Hospital Carlos III, em Madri. Dois exames feitos nesta terça-feira e no domingo deram negativo para o vírus. O tratamento envolveu transfusão de sangue de um dos sobreviventes do surto, mas não foram dados mais detalhes.

Teresa foi infectada após tratar um missionário repatriado de Serra Leoa, que morreu no mês passado. Ela deve continuar em observação por mais duas semanas, uma vez que sofreu de problemas respiratórios durante a internação. A paciente foi diagnosticada em Madri há duas semanas, tornando-se a primeira pessoa a contrair Ebola fora da África. 

De acordo com um dos médicos do hospital, a contaminação provavelmente aconteceu após a enfermeira tocar o próprio rosto com uma luva. O atual surto é o pior da história, com mais de 4,5 mil mortes, concentradas principalmente em Libéria, Serra Leoa e Guiné. Mais da metade dos infectados no oeste da África não resistiu à doença. 

A agente de saúde era a última pessoa confirmada com o vírus no país. O marido da enfermeira continuará isolado no hospital com outras 14 pessoas que tiveram contato com ela. Ninguém apresentou sintomas da doença até agora, mas devem continuar em observação por mais uma semana.

Cautela. Detalhes sobre os medicamentos usados não foram divulgados por questões “de privacidade”, explicaram os médicos. Mas especialistas disseram que é preciso ter cautela para avaliar o sucesso do tratamento, que só será comprovado com mais pesquisa.

“A fase é de tentar conter a doença, evitar que se espalhe por outros países. Nesse meio tempo, estão sendo feitos estudos sobre o combate ao vírus, a eficácia das vacinas. Mas isso demora”, diz o professor de Infectologia da Faculdade de Medicina do ABC paulista, Munir Ayub. Para ele, falta informação científica sobre o caso. “É difícil dizer se foi por causa do medicamento ou se ela iria mesmo se recuperar.”

Ainda há muita incerteza entre médicos sobre a eficácia dos tratamentos. “É uma doença pouco estudada. Até pouco tempo atrás, não havia preocupação com o seu impacto. Por isso, tratamentos específicos e vacinas não foram desenvolvidos até hoje”, explica o infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto Emílio Ribas. 

O uso de plasma começou em 1976 - mas há registros de bons resultados e de fracassos. No atual surto, o sangue do americano Kent Brantly foi usado tanto com sucesso como em casos que terminaram em morte. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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