EFE
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Enfermeira que atendeu vítima de Ebola é infectada na Espanha

Caso de contágio é o primeiro ocorrido na Europa; mulher socorreu missionário morto em 25 de setembro em Madri

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo 

06 Outubro 2014 | 15h50

Pela primeira vez, um caso de contágio do vírus Ebola foi registrado fora da África e revelou o despreparo dos hospitais até mesmo na Europa. Ontem, a Espanha anunciou que uma enfermeira nas proximidades de Madri foi diagnosticada com a doença, depois de ter feito parte do grupo que atendeu um outro espanhol, Manuel García Viejo, que foi transferido do continente africano para a Espanha para tratamento. 

O caso indicou falha no sistema de detecção no país e abriu uma polêmica em toda a Europa. Isso porque a paciente saiu de férias depois de ter tido contato com a pessoa contaminada e, já há uma semana, se apresentou ao hospital, alertando para o fato de poder estar contaminada. Mas foi liberada. 


Mais de 7 mil pessoas foram oficialmente contaminadas pelo vírus Ebola no atual surto. Mas todos esses casos foram originados na África e a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de um total de 20 mil infectados até novembro. Agora, porém, o caso espanhol representa o primeiro de contágio entre duas pessoas fora do continente africano.

O governo espanhol já informou que 30 pessoas foram colocadas sob monitoramento e o Sindicato de Enfermeiras afirmou que 60 profissionais passaram a ser controlados. As autoridades admitem que ainda estão tentando identificar o número total de pessoas com as quais a mulher manteve contato.

O espanhol que contaminou a enfermeira morreu no dia 26. Ele foi o segundo morto pela doença na Espanha. No dia 12 de agosto, outro religioso que estava prestando serviços na África morreu, após ser transferido para tratamento.

A enfermeira, porém, entrou no quarto onde estava a pessoa contaminada em apenas duas ocasiões. Depois da morte de Viejo, no dia 26, ela pediu folga e saiu de férias. A enfermeira decidiu se apresentar no dia 30 no hospital de Alcorcón, após registrar febre. Mas nenhum exame foi realizado. Madri anunciou que abriu investigações.

Erros. Por enquanto, as autoridades indicaram que a situação é “estável”. Mas a pressão recaiu quase que imediatamente sobre o governo. Os médicos do hospital Carlos III acusaram a administração de ter passado roupas inadequadas para atender o caso, com luvas presas ao traje com fitas adesivas. O lixo do quarto do doente também era retirado com todos os demais, sem tratamento especial.

Para especialistas, porém, o erro foi humano, pois os protocolos eram conhecidos por todos. Os profissionais reagiram, dizendo que já haviam alertado que os hospitais não estão preparados para o Ebola.

Ontem, a ministra de Saúde da Espanha, Ana Mato, se apressou em garantir que o protocolo de atuação foi “imediatamente ativado” desde que a enfermeira foi registrada com a doença e assegurou que a proteção ao pessoal médico e aos demais cidadãos está “garantida”.

Antonio Alemany, responsável pela área médica da Comunidade de Madri, informou que a enfermeira usou “todo o equipamento de proteção” nas vezes em que entrou no quarto de García Viejo. O governo já indicou ontem que 30 pessoas foram colocadas sob intensa vigilância. “Não temos informação sobre outros casos”, afirmou. “E não sabemos onde pode ter sido a falha.”

EUA. Nos Estados Unidos, a primeira pessoa diagnosticada com Ebola continua em estado crítico e sem receber medicamentos experimentais. O Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) informou que doses do medicamento experimental ZMapp estão esgotadas e a droga não voltará a ficar disponível a curto prazo. Ontem, o presidente Barack Obama veio a público para destacar que é “baixo” o risco de ocorrer um surto de Ebola no país. “Mas vamos trabalhar na ampliação de protocolos de segurança nos aeroportos daqui e do exterior”, ressaltou. Ele ainda prometeu ampliar a pressão sobre líderes mundiais para aumentar os recursos no combate à doença. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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