Ministério da Infraestrutura/ Divulgação
Ministério da Infraestrutura/ Divulgação

Enfim, as máscaras compradas na China estão chegando ao País

Operação, coordenada pelo Ministério da Infraestrutura, prevê a realização de 42 voos, dos quais 12 já foram realizados, para trazer o material

José Fucs, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2020 | 05h00

Demorou, mas as máscaras compradas na China, ainda na gestão de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde, estão finalmente chegando ao País. No total, são 200 milhões de máscaras descartáveis e 40 milhões de N95 para profissionais de saúde. A entrega começou no início de maio e deverá se estender até julho, pelo cronograma oficial.

Diante da impossibilidade de vendedor chinês fazer a entrega no Brasil, a Saúde repassou a tarefa de viabilizar o transporte da mercadoria e os recursos para a sua execução, de R$ 108 milhões, ao Ministério da Infraestrutura, que atua na área.

Segundo Ronei Glanzmann, secretário nacional de Aviação Civil, o ministério montou uma complexa operação logística para trazer o material. Devido à urgência da missão, o ministério decidiu fazer o transporte por avião e não por via marítima, já que um navio cargueiro levaria, de acordo com ele, de 40 a 60 dias para cumprir o percurso.

Como o Ministério da Defesa informou que não teria condições de realizar a tarefa, porque os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) têm capacidade de carga limitada e teriam de fazer pelo menos cinco escalas para chegar ao Brasil, a saída foi buscar uma empresa privada no mercado para executar a empreitada. 

Valor do contrato

Glanzmann afirma que o Ministério da Infraestrutura realizou uma tomada de preços simplificada para fretar os aviões, aproveitando a dispensa de licitação autorizada na pandemia, e recebeu cerca de 30 propostas. Com a demanda por aviões de carga aquecida, por causa das compras de medicamentos e de materiais médicos e hospitalares feitas por vários países, as melhores propostas vieram das companhias de passageiros, que estão com a frota quase toda em terra.

A melhor proposta, segundo o secretário, foi a da Latam, que venceu a concorrência. A empresa ofereceu, de acordo com Glanzmann, o preço mais competitivo, de US$ 355 mil por voo (R$ 1,9 milhão, ao câmbio de R$ 5,35), e aviões de maior porte, os Boeing 777-300, com grande autonomia e capacidade de transportar até 7,2 milhões de máscaras (270 metros cúbicos) por viagem. Glanzmann diz que as propostas das empresas de carga aérea chegaram a alcançar de US$ 1,5 milhão a US$ 2 milhões por voo em avião equivalente, quase seis vezes mais.

Considerando que serão necessários 42 voos para trazer tudo, dos quais 12 já foram realizados, o valor total do contrato com a Latam deverá ficar em US$ 14,9 milhões (R$ 79,7 milhões em valores atuais), 26% a menos que o estimado inicialmente. A sobra será devolvida para o Ministério da Saúde, segundo o secretário, ao final da operação.

O material é transportado tanto no compartimento de carga como na cabine de passageiros. Em alguns voos, quatro a cada cinco fileiras de assentos são removidas, criando as chamadas cargo bays (baías de carga), para abrir espaço para os pacotes. Em outros, a carga vem em cima dos assentos mesmo. “O problema neste caso não é peso, é volume”, afirma Glanzmann.

Ao chegar ao Brasil, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, o material é desembaraçado rapidamente, em questão de duas ou três horas, graças a uma força-tarefa montada com os órgãos aduaneiros, e transportado para um centro de distribuição do Ministério da Saúde que fica perto do terminal. De lá, com o apoio da FAB, as máscaras chinesas seguem para todo o País. Agora, resta saber se, com a demora do Ministério da Saúde em efetuar a compra, uma boa parte do material não ficará encalhada por aí.

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