'Enfrentamos um corredor polonês da xenofobia', diz Padilha sobre Mais Médicos

Ministro da Saúde, que se reuniu com o colega da Educação para discutir MP do programa, usou exemplo do Pará para dizer que programa não é eleitoreiro

Daiene Cardoso, Agência Estado

17 de setembro de 2013 | 16h05

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse nesta terça-feira, 17, que não admitirá tentativas de entidades médicas brasileiras de retardar a chegada de médicos estrangeiros aos municípios. "Enfrentamos um verdadeiro corredor polonês da xenofobia", atacou. Padilha e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, se reuniram nesta manhã com líderes da base governista na Câmara para discutir o relatório final da Medida Provisória que trata do Programa Mais Médicos, a ser apresentado nesta quarta, 18, na Comissão Especial Mista.

Padilha e Mercadante saíram da reunião com a base aliada ressaltando o apoio da maioria da população revelado pelas pesquisas. "Acho que as entidades médicas deveriam dialogar com esse sentimento da população", disse Mercadante.

O ministro da Saúde reclamou das tentativas de boicote na fase de inscrição dos médicos brasileiros, das ações judiciais, da desistência dos profissionais brasileiros ao assumir as vagas e das ameaças contra tutores e supervisores do programa, mas enfatizou que está disposto a confrontar todas as contestações contra o programa que não tenham base técnica e jurídica. "Acho uma tremenda insensibilidade com o sofrimento do povo brasileiro que está precisando de médico", comentou Padilha.

Questionado sobre a demissão de médicos brasileiros para dar lugar aos indicados pelo programa nos municípios, o ministro avisou que onde for detectada a prática não haverá o encaminhamento de profissionais do programa. Segundo Padilha, o Mais Médicos vai "moralizar" o cumprimento da carga horária nas localidades. "Não vamos admitir médicos que queiram ficar só dois dias na Unidade Básica de Saúde", declarou.

Padilha também negou que o programa tenha cunho eleitoreiro, como critica a oposição. De acordo com ele, o Estado do Pará, governado pelo PSDB, recebeu o maior contingente de médicos cubanos. "É a demonstração de que este programa não tem nenhuma motivação eleitoral", respondeu.

MP. O ministro da Saúde disse confiar na aprovação do relatório final da MP, que nesta quarta será submetido ao crivo do Ministério da Saúde antes de ir à votação. "Estou muito otimista. Acho que tem uma sensibilidade dos deputados e senadores de que o Programa Mais Médicos é o primeiro passo para mudar a realidade de saúde do País", afirmou. Padilha disse que seu "trabalho de formiguinha" refletirá na aprovação do projeto. "A base está convencida da importância deste programa", avaliou o relator Rogério Carvalho (PT-SE).

Um dos pontos em discussão é a universalização da residência para todos os formados em Medicina. O objetivo é tornar a residência, de um ano dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS) com foco em atendimento na atenção básica (urgências e emergências), uma obrigatoriedade para quem quiser se especializar. "É o resgate da prática geral (da Medicina), que há muitos anos se perdeu no Brasil", disse o relator. "Vamos formar um médico especialista em gente, com mais contato com a realidade da saúde do nosso povo", emendou Padilha.

Carvalho também deve incluir no relatório a realização de um teste obrigatório de progresso dos estudantes de Medicina. Na proposta, o aluno seria submetido a cada dois anos a uma avaliação (três ao longo de seis anos do curso) e, na especialização, faria outras duas provas para avaliar o "ganho de competência".

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