Ensino nas áreas de saúde é mal distribuído

Um estudo inédito feito em parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação mostra o quanto o ensino na área de saúde é desigual: seja na oferta de vagas regionais, seja em sua ocupação de acordo com classes sociais. Um dos maiores exemplos da disparidade está no curso de Medicina: 67,2% dos alunos que ingressam no curso têm renda familiar superior a dez salários mínimos. Uma porcentagem significativa, quando se compara com toda a população: 11,8% das famílias têm renda superior a 10 salários. Odontologia também continua a ser um curso freqüentado por classes econômicas mais privilegiadas: 52% dos alunos integram famílias cuja renda é superior a dez salários mínimos. A disparidade é constatada ainda na proporção entre formandos e população. Em 2004, a região Sul registrou um formando do curso de farmácia para 9.086 pessoas. No Nordeste, um para cada 51 mil habitantes. A desproporção também foi registrada entre formandos médicos: no Sudeste, a cada 13,4 mil habitantes havia um formando. No Norte, essa proporção, no mesmo ano, era muito maior: 1 para 40 mil habitantes. Desenvolvido ao longo de quatro meses, o estudo avaliou a trajetória de 14 cursos na área de saúde, entre 1991 e 2004. Os resultados deverão ser usados para subsidiar uma nova política para formação de profissionais de saúde. Ao comentar os números, o ministro Fernando Haddad defendeu a abertura de mais vagas para cursos de Medicina em alguma regiões do País, onde a oferta de vagas é ainda bastante reduzida. Ele observou que o curso de Medicina foi um dos que apresentaram menor índice de aumento: em 1991, havia 46,8 mil alunos matriculados. Em 2004, este número era 38,6% maior: 64.965 alunos. Tal defesa, no entanto, contraria a tese de entidades de classe, que há tempos lutam pelo congelamento de novas faculdades de medicina. O ministro aproveitou os dados para defender a política de reserva de vagas em universidades públicas para quem tem menor poder aquisitivo. Ele observou que a evasão no curso de Medicina é menor entre estudantes de baixa renda. Isso explica a diferença entre o número de estudantes com renda familiar com menos de três salários mínimos ao ingressar na faculdade de medicina e ao sair. No primeiro ano, 8,8% dos estudantes têm renda inferior a 3 salários mínimos. Na conclusão do curso, a porcentagem sobe para 10%. "Alunos se agarram à faculdade. Isso derruba o argumento de que estudantes beneficiados por tais políticas num segundo momento deixariam os cursos." O estudo mostra ainda que os cursos que mais cresceram nos últimos 14 anos foram fisioterapia (443,5%) e enfermagem (741,5%).

Agencia Estado,

29 de março de 2006 | 11h42

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