Marcelo del Pozo/Reuters
Marcelo del Pozo/Reuters

Entenda como funcionam as bandagens coloridas usadas pelos atletas

Fitas podem ajudar a tonificar ou relaxar músculos, mas sua eficácia ainda é contestada por especialistas; técnica mais conhecida foi criada por japonês

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2016 | 08h00

SÃO PAULO - É difícil não notar durante as competições dos Jogos Olímpicos do Rio as fitas coloridas usadas pelos atletas nas mais diferentes partes do corpo. Ao contrário do que muitos pensam, o acessório não é um emplastro com analgésico como aqueles comprados em farmácias. As fitas são, na verdade, bandagens elásticas usadas para tonificar ou relaxar músculos e estabilizar regiões lesionadas.

“Os emplastros como Salonpas têm um produto analgésico que é liberado na região, como se fosse uma pomada. Já as bandagens não têm nenhum medicamento, elas funcionam pressionando a região onde são colocadas”, explica André Nogueira Ferraz, fisioterapeuta da ClubFisio.

Segundo especialistas, a técnica mais conhecida para a utilização das bandagens é a Kinesio Taping, criada na década de 1970 por um quiropraxista japonês. “Ao ser colada na pele, por meio do estímulo e da pressão sobre o músculo, a fita seria capaz de ativar ou relaxar a região, dependendo da forma como é colocada. Embora bastante utilizada, não existem grandes estudos que comprovem a eficácia desse tipo de técnica”, diz Ferraz.

O fisiologista do esporte Diego Leite de Barros, do Hospital do Coração (HCor), diz que, quando usada no sentido da origem do músculo para a parte final, a bandagem pode tonificar o músculo, diminuindo a sensação de fraqueza e aumentando a potência da estrutura. No sentido contrário, a bandagem pode ajudar no relaxamento muscular e no alívio de dores. 

Ele afirma que as bandagens podem servir ainda para estabilizar e proteger uma articulação já sensível por uma lesão prévia. “Funciona como uma imobilização da área comprometida e, ao comprimir, ainda pode ajudar a nutrir e fortalecer o local”, diz.

Os especialistas dizem que, como não há estudos científicos que confirmam os benefícios da técnica, todas essas indicações são feitas com base em relatos de melhora observados na prática. “Em alguns casos, ela pode até ter um efeito psicológico, de dar uma sensação maior de proteção e confiança ao atleta, mas é um método paliativo, não é considerado um tratamento para a lesão”, afirma Barros.

Por isso, a bandagem não é recomendada como método convencional de tratamento de dores e lesões para qualquer pessoa. “No caso dos atletas, eles têm determinada competição e não podem adiar, eles vivem daquilo e qualquer coisa que trouxer alguma melhora ou alívio acaba sendo usada. Mas para o resto da população, o tratamento para lesões e dores deve ser feito de forma convencional, com fisioterapia e acompanhamento médico”, ressalta Ferraz. 

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