Jalal Morchidi/EFE/EPA
Jalal Morchidi/EFE/EPA

Entenda o que é o pico da pandemia e quando ele deverá ocorrer em São Paulo

Período com maior número de novos casos da doença requer atenção das autoridades. São Paulo deverá atingir 'platô' em maio

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 12h32

Com o avanço da pandemia de covid-19, um tema recorrente é quando São Paulo chegará ao "pico" de novos casos da doença. O pico é o dia em que o número de pessoas infectadas é igual ao número de pessoas curadas. A partir dele, a quantidade de pacientes recuperados começa a superar o número de novos casos e a doença para de avançar. Segundo o professor Mark Laurie, da Universidade de Saúde Pública de Brown, nos Estados Unidos, trata-se do ponto no qual é registrado o maior número de casos.

Especialistas afirmam, no entanto, que é difícil precisar uma data específica, ou quantas pessoas serão infectadas e curadas nesse dia. E também, que dificilmente o pico ocorre num único dia, sendo mais próximo de um "platô".

É possível, no entanto, estimar quando será o pico. O Ministério da Saúde prevê que o mês de maio será a pior fase da covid-19 no País, alavancada pelos Estados do Sudeste, com maior densidade populacional, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro. O Brasil em geral, no entanto, terá um desafio extra nos meses seguintes.

Segundo documento do ministério, o período entre maio e junho é quando o País já costuma enfrentar alta de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Em 2019, o pico das hospitalizações ocorreu entre 27 de maio e 2 de junho. A preocupação da pasta é a sobreposição das duas curvas em 2020, com o novo coronavírus como complicador.

As internações por SRAG no Brasil já estão muito acima da média neste ano. Elas dispararam a partir de meados de março, o que coincide com o momento em que casos de covid-19 começaram a ser identificados no Brasil (o primeiro é de 26 de fevereiro). 

SRAG é uma definição que vale para casos graves de vários tipos de infecção, como as também causadas pela gripe sazonal e outros vírus respiratórios. Como a única novidade no radar é o Sars-CoV-2 (o novo coronavírus), acredita-se que essa alta nas internações seja motivada por ele.

De acordo com o ministério, até a semana passada houve um aumento de 366% nas internações por SRAG em 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Até o dia 20 de abril de 2020, foram registradas 55.980 hospitalizações por SRAG no Brasil. Do que já foi testado, 8.318 (15%) foram de casos confirmados para covid-19.

A precisão para determinar o pico do número de casos é prejudicada, porém, pela dificuldade nas notificações. Atualmente, entre a chegada de um paciente grave numa unidade hospitalar e a confirmação do diagnóstico de covid-19, passam-se cerca de 10 dias - tempo precioso para tomada de novas medidas, caso sejam necessárias.

Achatamento da curva

O governo do Estado de São Paulo vem apontando que as medidas de isolamento social estão conseguindo diminuir a velocidade do aparecimento de novos casos, apesar de alguns cientistas ainda considerarem ser cedo para ver resultados. A curva de crescimento da covid-19 tem sido menos íngreme, mas ainda há gargalos nos testes, o que pode dificultar um mapeamento mais claro.

Com o achatamento, o sistema de saúde fica menos sobrecarregado e consegue lidar melhor com os casos mais graves, nos quais há necessidade de internação em UTI, o maior gargalo hospitalar. Como a disponibilidade de leitos é limitada, quanto menos novos casos, menos casos graves serão registrados e menos pessoas precisam de atendimento especial.

A capital contava com 507 leitos de UTI no início do ano e há a previsão de abertura de outros 598 até o fim de abril. Para maio, o governo prometeu a abertura de outros 333 novos leitos de UTI na cidade. No último sábado, 18, o prefeito Bruno Covas inaugurou um hospital no centro da capital com mais 29 leitos de UTI. A unidade municipal fica no centro da cidade.  

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