Entidade vai à Justiça contra os reajustes

Com o objetivo de impedir os aumentos de até 5,51% anunciados pelo governo para cerca de 20 mil remédios, o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum) promete entrar com uma representação no Ministério Público Federal na próxima segunda-feira, dia 27. Um dos argumentos da entidade é que, nos últimos dez anos, os medicamentos mais consumidos pela população já tiveram reajustes de até 954%. Segundo o Idum, o anti-hipertensivo Naprix, por exemplo, passou de R$ 5,22, em fevereiro de 1995, para atuais R$ 55,06. O Instituto também utiliza como exemplos o antitérmico e analgésico AAS e o relaxante muscular Beserol. Enquanto o primeiro teve um reajuste de 582%, o Beserol subiu 783,17%. Outro argumento apresentado pelo Idum é o fato de que muitos brasileiros não têm acesso aos medicamentos devido aos altos preços, além de que 30% das internações hospitalares ocorrem por falta de remédios para o tratamento. "Esse quadro, associado à infinidade de vantagens da indústria e mais os sucessivos aumentos concedidos, além daqueles aumentos abusivos faz com que seja necessário frear essa alta, que é ilegal", afirma o farmacêutico Antônio Barbosa, coordenador do Idum e membro do Conselho Federal de Farmácia. Para Barbosa, é importante ainda que os usuários de medicamentos tenham acesso a listas comparativas de preços, patrocinadas pelo governo. Assim, o consumidor poderia escolher, "com segurança, pelos medicamentos mais baratos, já que no mercado cada remédio tem, em média, sete opções fabricadas por outros laboratórios". "Ocorre que o consumidor não sabe disso, porque os remédios são rotulados pelo nome de marca e ele não confia em buscar substituições. As listas comparativas resolveriam o problema", acredita o coordenador do Idum. Por enquanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não irá tomar nenhuma medida, nem se pronunciar sobre a atitude do Instituto. O órgão, que afirma que esses aumentos não serão válidos para os medicamentos comercializados pela Farmácia Popular, diz apenas que irá esperar a decisão da Justiça para resolver o que irá fazer.

Agencia Estado,

23 de março de 2006 | 09h20

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