TV Estadão | 19.05.2015
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Entre 290 mortos da dengue, 172 tinham 60 anos ou mais

Apesar de representarem 11% da população, os idosos foram as vítimas de quase 60% das mortes entre 1.º de janeiro e 9 de maio

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

02 Junho 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Levantamento inédito feito pelo Ministério da Saúde a pedido do Estado mostra que das 290 pessoas que morreram em decorrência da dengue no País neste ano, 172 tinham 60 anos ou mais, o que mostra que, apesar de representarem 11% da população, os idosos foram as vítimas de quase 60% das mortes por dengue registradas entre 1.º de janeiro e 9 de maio.

O levantamento aponta ainda que o segundo grupo da população com o maior número de vítimas é o de pessoas com idade entre 40 e 59 anos. Foram 53 mortos nessa faixa etária, que já reúne muitas pessoas portadoras de doenças crônicas que aumentam o risco de uma complicação da dengue, como hipertensão e diabete.

Em seguida, vem o grupo de jovens adultos, entre 20 e 39 anos, com 35 mortes, e as crianças e adolescentes, com 30 óbitos. Na divisão dos sexos, a ocorrência de morte é praticamente a mesma. Foram 147 mulheres mortas por complicações da doença, ante 143 homens.

Há duas formas graves da doença que podem levar à morte: a febre hemorrágica e a síndrome do choque da dengue. No primeiro caso, o quadro se dá porque o vírus ataca a medula e o fígado, o que diminui a produção de plaquetas, células responsáveis pela coagulação, e de outros coagulantes. Com os dois sistemas prejudicados, o paciente começa a ter sangramentos externos e internos. 

No caso da síndrome do choque, o processo é diferente. Ao perceber a infecção pela dengue, o organismo passa a produzir mais células de defesa para tentar combater o inimigo. Em alguns casos, no entanto, a produção vai além do limite, o que faz com que o sistema de defesa passe a atacar o próprio corpo. 

Números. Desde janeiro, 845,9 mil brasileiros foram infectados pela dengue, dos quais 585 tiveram a forma grave da doença. O Estado de São Paulo é o campeão em número de casos e mortes. Foram 432,8 mil pessoas infectadas e 207 óbitos em cidades paulistas. Com a chegada do frio em boa parte do País, o pico de infecções pela doença no ano já passou, mas a recomendação do Ministério e das prefeituras é manter o combate aos criadouros no inverno.

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