Darryl de Ruiter/Divulgação
Darryl de Ruiter/Divulgação

Entre os ancestrais do homem moderno, homem ficava em casa e mulher saia para 'explorar o mundo'

Estudo publicado na 'Nature' sugere que os homens permaneciam com regularidade nas regiões que tinham nascido enquanto mulheres vagavam por diversas localidades

estadão.com.br,

01 Junho 2011 | 14h44

SÃO PAULO - Um estudo publicado na edição desta quarta-feira, 1, da revista Nature mostrou que, entre os ancestrais do homem moderno, o homem ficava em casa e a mulher saia para "explorar o mundo." A pesquisa, conduzida pela Universidade de Colorado Boulder, dos Estados Unidos, sugere que as mulheres ancestrais se afastavam mais dos lugares de nascimento que os homens, com base na análise de dentes encontrados na África do Sul.

"Temos aqui o primeiro vislumbre direto da movimentação geográfica destes antigos homídeos, e aparentemente as fêmeas se moviam preferencialmente para longe de seus grupos residenciais", explica o principal autor do estudo, Sandi Copeland.

A pesquisa surpreende porque acreditava-se que os dentes estudados indicariam o crescimento destes indivíduos em locais diversos, isso porque é comumente aceito que a evolução dos bípedes ocorreu exatamente porque eles eram capazes de ir cada vez mais longe. Agora, estes resultados sugerem que a evolução teve outros motivos.

Os pesquisadores chegaram a esta conlusão porque apenas 10% dos dentes dos homens ancestrais tinham características que sugeriam o crescimento destes homídeos em regiões distintas, ou seja, eles tendiam a crescer e se desenvolver em locais muito próximos de onde tinham nascido.

Para chegar a esta conclusão, a equipe mensurou os isótopos de estrôncio encontrados nos esmaltes dos dentes com o objetivo de identificar o local onde vivia cada indivíduo. Um elemento natural, o estrôncio é encontrado em rochas e solos e é absorvido pelas plantas e animais. Como ele é ligado a substratos geológicos específicos, ele pode revelar as condições dos locais onde estes homídeos viviam. "Os isótopos de estrôncio é um reflexo direto da comida que estes homídeos consumiam, o que se torna o reflexo direto da geologia do local", disse Copeland.

Para diferenciar os dentes por gênero, os cientistas partiram do princípio que os homens eram geralmente maiores que as mulheres, assim como é observado nos humanos hoje em dia. Por isso o tamanho dos molares encontrados foi usado como dado para determinar este aspecto.

A equipe testou 19 dentes de Australopithecus africanus e Paranthropus robustus datados de aproximadamente 2,7 a 1,7 milhões de anos atrás das duas cavernas africanas, que são bem conhecidas por estudiosos da evolução dos homídeos.

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