Enzima pode ajudar a regenerar conexões na medula espinhal após acidentes

Estudo obteve a recuperação de conexões responsáveis por movimentos voluntários em camundongos

Agência Fapesp

09 de agosto de 2010 | 16h46

SÃO PAULO - O bloqueio que impede o crescimento de fibras nervosas jovens em mamíferos adultos pode ser liberado por meio da inibição ou da eliminação genética de uma enzima específica em células nervosas danificadas, indica uma pesquisa publicada no último domingo na revista Nature Neuroscience.

O trabalho sugere que terapias que usem como alvo essas enzimas responsáveis pelo bloqueio podem ter efeitos benéficos para o tratamento de danos na medula espinhal. O estudo obteve a regeneração de conexões responsáveis pelos movimentos voluntários.

Zhigang He, do Departamento de Neurologia da Escola Médica Harvard, e colegas observaram em camundongos com medulas danificadas uma atividade muito pequena da enzima mTOR em neurônios adultos danificados no trato corticoespinhal (conjunto de axônios entre o córtex cerebral e a medula espinhal). A enzima é responsável pela promoção do crescimento dos neurônios.

Quando os pesquisadores aumentaram a atividade da mTOR, ao bloquear geneticamente seu regulador (a enzima PTEN), houve um aumento tanto no crescimento de fibras nervosas intactas remanescentes quanto na capacidade de as fibras danificadas voltarem a se desenvolver e a se reconectar com as células nervosas de áreas não danificadas. O trabalho não procurou examinar se as novas conexões formadas por essas fibras que se regeneraram resultaram na recuperação funcional ou na melhoria da mobilidade.

Segundo os autores do estudo, isso ainda precisa ser investigado, assim como se o método pode vir a ser efetivamente experimentado em humanos com problemas de movimento por causa de acidentes na medula espinhal. De qualquer maneira, He e colegas destacam que os resultados do estudo permitem sugerir que drogas que tenham como alvo os mecanismos que limitam a atividade da mTOR em sistemas nervosos adultos podem ter efeitos benéficos para danos na medula.

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