Sunday Alamba/AP
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Epidemia de cólera assola oeste africano após chuvas espalharem a doença

Nigéria vive pior surto em 19 anos; casos chegam a outros países, como Camarões, Chade e Níger

AP

10 Setembro 2010 | 17h57

GANJUWA (NIGÉRIA)- Pacientes se amontoam em clínicas rudimentares na Nigéria e trabalhadores usam máscaras cirúrgicas contendo uma solução antibacteriana à medida que o governo tenta conter uma epidemia de cólera que já matou cerca de 800 habitantes em dois meses e deixou outros 13 mil doentes, segundo o Ministério da Saúde local.

A pior epidemia de cólera dos últimos 19 anos na Nigéria - em 1991, 7.654 pessoas morreram, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) - está se espalhando para outros países, como Camarões, Chade e Níger, onde já matou outras centenas de pessoas.

Em uma maternidade e em um hospital na vila rural de Ganjuwa, no norte nigeriano, pacientes sofrem com sintomas como diarreias severas provocadas pela cólera. E os médicos tentam salvar as crianças reidratando-as por via intravenosa.

Como mais e mais pacientes ocupam os leitos das enfermarias, os médicos tiveram de acomodá-los em câmaras e corredores de concreto rodeados por dejetos humanos.

Em vilas como Ganjuwa e cidades de toda a África Ocidental, a falta de água potável tem favorecido o aparecimento de doenças bacterianas transmitidas pela água, como a cólera.

Chuvas sazonais transportaram lixo para esgotos que escoam em poços próximos, contaminando várias famílias. "Essas áreas tornam-se terreno fértil para a cólera", diz Chris Cormency, funcionário do Unicef que monitora a epidemia.

Cormency afirma que a doença começou na Nigéria e, em seguida, se espalhou para o Camarões, onde mais de 300 pessoas morreram e 5 mil ficaram doentes. No Chade, mais de 40 morreram e 600 estão enfermos. Em relação ao Níger, ainda não está claro quantas pessoas foram afetadas.

Depois que uma pessoa foi encontrada com cólera em um trem em Camarões, outras 1.500 pessoas a bordo entraram em pânico. Os responsáveis de Saúde deram antibióticos aos passageiros e tentaram descontaminar o trem, segundo a imprensa do país.

A doença é facilmente prevenida com água potável e saneamento básico, mas, em lugares como a África Ocidental, essa infraestrutura ainda é rara em vilas e favelas.

Na Nigéria, quase metade dos 150 milhões de habitantes não tem acesso a água potável e saneamento adequado, de acordo com a OMS, apesar de o governo arrecadar bilhões de dólares por ano como um dos principais exportadores de petróleo da África.

Oficiais da Cruz Vermelha têm distribuído uma mistura em pó para famílias em Ganjuwa, além de dar conselhos sobre a epidemia. Na cidade de Bauchi, o maior hospital do Estado tem uma clínica composta por profissionais da entidade Médicos Sem Fronteiras, onde mais de cem doentes estão sendo tratados.

Segundo as autoridades, muitos outros pacientes estão recebendo tratamento em clínicas locais ou em casa em vários Estados do norte nigeriano.

Para combater a cólera, voluntários aplicam pulverizadores - que contêm uma solução de cloro para matar as bactérias - nas estreitas ruas de terra de Ganjuwa. As equipes também jogam pastilhas de cloro em poços.

No entanto, o cloro desaparece com o tempo, deixando os poços novamente suscetíveis à doença. Além disso, as chuvas ainda não pararam.

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