Epidemia de cólera atinge oeste e centro da África, alerta ONU

Uma das maiores epidemias de cólera já registradas no oeste e na região central da África infectou mais de 85 mil pessoas e matou ao menos 2.466 este ano, informaram agências de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) na terça-feira.

STE, REUTERS

11 de outubro de 2011 | 15h50

A doença diarreica está se disseminando rapidamente ao longo dos rios e riachos entre e dentro dos países e tem causado uma taxa "inaceitavelmente alta" de mortes, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

"O tamanho e a escala dos surtos indicam que a região está enfrentando uma das maiores epidemias de sua história", disse a porta-voz do Unicef Marixie Mercado em uma entrevista coletiva em Genebra.

O Chade vive o maior surto de cólera já registrado no país. Nove em 10 distritos em Camarões registram casos e a taxa de vítimas na República Democrática do Congo está acima de 5 por cento, acrescentou ela.

A infecção intestinal aguda, geralmente associada à ingestão de água ou comida contaminada, causa diarreia severa e vômitos, deixando as crianças pequenas especialmente vulneráveis à morte por desidratação. Crianças desnutridas estão sob maior risco.

As agências de ajuda humanitária afirmam que, com tratamento apropriado, menos de 1 por cento dos pacientes com cólera morrem.

Cinco países - Camarões, Chade, República Democrática do Congo, Gana e Nigéria - registram 90 por cento do total de casos e mortes em mais de 20 países, disse o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS) Tarik Jasarevic.

O Unicef informou que muitos surtos começaram fora da temporada típica de cólera e agora afetam países onde a doença não é endêmica. A agência teme que a doença se espalhe pelas áreas costeiras do centro da África, onde se espera que chova mais do que o normalmente esperado até o fim do ano.

Três grandes surtos de cólera interfronteiras foram identificados: na Bacia do Lago Chade (Chade, Camarões, Nigéria e Níger), na Bacia do Congo Ocidental (República Democrática do Congo, República do Congo e República Centro-Africana) e no Lago Tanganyika (República Democrática do Congo e Burundi).

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