Epidemia de dengue ameaça 30 cidades do País

Esses locais, incluindo sete capitais, têm um combinação de fatores que facilita o alastramento da doença

Lígia Formenti, de O Estado de S.Paulo,

27 de março de 2008 | 20h09

Pelo menos 30 cidades brasileiras, incluindo sete capitais, têm risco de apresentar uma epidemia de dengue nos moldes da tragédia que tomou conta do Rio de Janeiro. Esses locais apresentam uma combinação perigosa: alta infestação do mosquito transmissor da doença, aumento do vírus da dengue tipo 2 - mais agressivo - e um número considerável de pessoas suscetíveis à contaminação. "É preciso redobrar esforços. Caso contrário, a situação pode se agravar, sobretudo no verão do próximo ano", avisou o secretário-adjunto de Vigilância do Ministério da Saúde, Fabiano Pimenta.   Veja também:  Especial - A ameaça da dengue Fundação identifica dengue tipo 4 em Manaus Após 26 anos, dengue tipo 4 reaparece no Brasil Famosos doam sangue na luta contra dengue no Rio  Rio deixou de investir repasse da Saúde contra dengue, diz TCM Temporão diz que Maia sabia do risco de epidemia de dengue Cesar Maia acusa ministério de omissão 'criminosa' por dengue Medo da dengue aumenta procura por repelentes no Rio PM pode arrombar porta de quem dificultar trabalho de agente   Uma nova onda de epidemia de dengue no País teria mais casos graves e atingiria principalmente pessoas mais jovens. Exatamente o que vem ocorrendo no Rio. Entre as causas dessa nova onda estaria o tipo de população suscetível. A dengue é provocada por quatro tipos de vírus, batizados de 1, 2, 3, 4. Ao ser infectado, o paciente cria imunidade somente ao tipo de vírus que causou sua doença. No Brasil, já há grande número de pessoas resistentes, por causa das três epidemias registradas.   Mas crianças que nasceram durante e depois da década de 90 não têm essa imunidade. Há também um número considerável de suscetíveis para dengue tipo 1, um vírus menos agressivo. "Ele não preocupa tanto. Nossa maior apreensão é mesmo com o vírus que hoje circula no Rio", disse Pimenta.   O maior receio do Ministério da Saúde é com a velocidade da propagação do vírus tipo 2 pelo País todo, a exemplo do que ocorreu com o vírus tipo 3. Em 2006, já havia sido notada a tendência de reaparecimento desse agente, que provocou epidemias durante a década de 1990. Desta vez, no entanto, há uma diferença: a tendência de o vírus se espalhar com maior rapidez. "A última coisa que queremos é a expansão desse vírus (o 2) na mesma velocidade da que ocorreu com a dengue tipo 3, a partir de 2002. Em menos de dois anos, 27 Estados já tinham esse vírus circulando."   O Estado fez um cruzamento de dados entre o mais recente Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa) com mapas de circulação dos vírus da dengue. Trinta cidades, espalhadas pelos Estados de Roraima, Piauí, Maranhão, Tocantins, Bahia, Ceará, Alagoas e Pará vivem o risco de expansão da dengue tipo 2.   O número de cidades com risco elevado de epidemia pode ser ainda maior. Isso porque o Liraa foi feito há quatro meses, antes de as chuvas se intensificarem. Fabiano Pimenta está convicto de que, em vários pontos, o número de criadouros aumentou. "Há também cidades que fizeram o trabalho de forma adequada, reduziram os criadouros. Mas essa não é a regra."   Entre Estados que mais despertam a preocupação do Ministério da Saúde estão Maranhão, Roraima, Piauí, Alagoas. E maior atenção é dirigida para regiões metropolitanas - mesmo aquelas em que o vírus tipo 2 ainda não circula, como Recife e Belo Horizonte. "Nessas áreas, as ações para combater a doença e o mosquito são muito mais complexas", afirmou Pimenta.

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