Equipamentos veterinários serão usados em humanos no combate ao coronavírus

Equipamentos veterinários serão usados em humanos no combate ao coronavírus

O objetivo é cadastrar equipamentos que possam ser usados em humanos, como monitores de medição cardíaca e respiratória e respiradores mecânicos

André Borges, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2020 | 13h25

BRASÍLIA – A busca por ajuda e suporte técnico no combate ao novo coronavírus passou a incluir profissionais veterinários e seus equipamentos utilizados em procedimentos com animais. O objetivo é cadastrar médicos e equipamentos que possam ser usados em humanos, como monitores de medição cardíaca e respiratória e respiradores mecânicos. Esses equipamentos, com pouca adaptação, podem auxiliar no tratamento de humanos.

Douglas Frigo, médico veterinário há 20 anos e dono de uma clínica com centro cirúrgico para cães e gatos na Vila Prudente, em São Paulo, já cadastrou seus equipamentos na Academia Brasileira de Medicina Veterinária Intensiva, que tem liderado a ação.

“É uma situação extrema, para a qual a gente já está se preparando. Os equipamentos que são usados em pequenos animais são compatíveis com o uso humano. Nós tivemos essa iniciativa de fazer um cadastro de clínicas e hospitais veterinários que poderiam disponibilizar esses equipamentos em casos de necessidade de uso em humanos, caso o sistema fique sobrecarregado e haja emergência de uma hora para outra”, disse Frigo ao Estado.

Clínicas e hospitais veterinários são obrigados a possuírem um monitor multiparamétrico, aparelho que verifica batimentos cardíacos, o sistema respiratório e a oxigenação do sangue. Outro equipamento que pode apoiar no tratamento contra a covid-19 é um respirador mecânico, que funciona como um pulmão artificial. “Mesmo que a pessoa não tenha força para respirar, ele faz o papel de um pulmão, fazendo com essa respiração ocorra”, explica.

“Precisamos de sua ajuda para oferecer em comodato os equipamentos necessários à terapia de suporte contra a covid-19 para as pessoas”, afirmou a Academia Brasileira de Medicina Veterinária Intensiva em um comunicado enviado aos profissionais. “Considerando que somos agentes de saúde, e perante o aumento de necessidades para o controle do surto de covid-19, pedimos a ajuda de todos vocês.”

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Até esta segunda, 23, cerca de 80 clínicas e hospitais veterinários já tinham enviado informações para terem seus equipamentos cadastrados. Se for necessário, os equipamentos serão cedidos em regime de empréstimo.

Os próprios veterinários também podem ser chamados para prestar socorro. O Conselho Federal de Medicina Veterinária também iniciou o cadastramento de profissionais que poderão ser chamados, em caso de necessidade. “É uma iniciativa importante. O veterinário pode trabalhar como uma equipe de suporte aos médicos de humanos”, comentou Frigo.

Há cerca de 125 mil médicos veterinários no Brasil inscritos no Conselho Federal. São Paulo é o Estado que concentra a maior parte desses profissionais, com mais de 33 mil veterinários. Em todo o País, são mais de 21 mil estabelecimentos veterinários, englobando cerca de 550 hospitais e 20 mil clínicas, além de laboratórios, consultórios e ambulatórios.

Na segunda, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que o Brasil passará a produzir 400 respiradores por semana. Somando redes pública e privada, o Brasil tem 55,1 mil leitos e 65.411 respiradores à disposição.

Além de reforçar leitos e equipamentos, o governo quer evitar uma curva fora do esperado de casos da doença no País, para impedir um colapso do sistema de saúde, como visto no norte da Itália.  O ministério estima contar com 27,4 mil leitos de UTI no SUS. A taxa de ocupação é de 78%. O acesso aos leitos é apontado como uma das maiores preocupações de autoridades da saúde para combate à pandemia.

Também na segunda, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, publicou fotos em redes sociais para mostrar que o país europeu recebeu uma carga de ventiladores pulmonares e máscaras de proteção do Brasil.

“Essa é a carga que deixou hoje o Brasil com máscaras e ventiladores de pulmão, destinados principalmente a nossos hospitais e para aqueles que estão lutando na linha de frente contra o vírus, principalmente no norte e na Lombardia”, afirmou o chanceler. A Itália já atingiu a marca de 6 mil mortos pelo coronavírus, com mais de 50 mil pessoas infectadas.

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