Zoom Dosso/AFP
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Equipes médicas iniciam greve na Libéria por melhores salários

Profissionais de saúde cobram adicionais por risco no tratamento de pacientes com Ebola no país; Chile descartou a suspeita de infecção

O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2014 | 10h55

MONRÓVIA - Equipes médicas da Libéria, o país mais afetado pela atual epidemia de Ebola, ameaçou nesta segunda-feira, 13, endurecer a greve para conseguir adicionais por risco. "Estaremos em greve nacional em todos os hospitais e centros de saúde, incluindo os centros de tratamento de Ebola", declarou o presidente do sindicato do setor, Joseph Tamba, nesta segunda-feira.

Algumas enfermeiras apareceram para trabalhar em hospitais da Libéria apesar de chamados por uma greve, que cobra por melhores pagamentos e adicionais de risco em meio a epidemia de Ebola.

A paralisação poderá dificultar severamente a resposta do país contra o avanço da doença. A Libéria lidera a quantidade de mortes por infecção do vírus entre os países africanos, com 2.316 entre o total de 4.033 infectados, segundo o balanço divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O vírus tem atingido fortemente profissionais de saúde infectando cerca de 400, metade deles na Libéria. Membros da Associação Nacional de Trabalhadores de Saúde estão exigindo maiores pagamentos em virtude do risco que correm.

A associação possui mais de 10 mil membros, dos quais o Ministério da Saúde estima que apenas mil estejam diretamente envolvidos no tratamento a pacientes com Ebola.

Estados Unidos. O Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) norte-americano admitiu que houve erro no protocolo de segurança durante o tratamento do liberiano Thomas Eric Duncan, que morreu por Ebola no Estado do Texas na semana passada.

Diante de um novo caso de infecção anunciado neste final de semana, Thomas Frieden, diretor do CDC, afirmou: "Em um dado momento, houve falha no protocolo, o que causou a infecção".

A enfermeira representa o primeiro caso de infecção dentro dos Estados Unidos e o segundo fora da África; Duncan havia contraído o vírus na Libéria antes de viajar ao continente americano.

A mulher, cuja identidade não foi revelada, disse ter respeitado o protocolo e assegurou que estava com o equipamento recomendado pelo CDC. No domingo, 12, o estado de saúde dela era estável com leves sintomas, como febre, segundo fontes médicas.

Outro paciente norte-americano, um câmera de um canal de televisão que trabalhava na Libéria, está "melhorando muito". "Ele está respondendo aos tratamentos", disse o médico Phil Smith, do Centro Médico de Nebraska, onde o homem está internado.

Espanha. Na Espanha, a enfermeira Teresa Romero se mantém em um estado grave. Ela foi o primeiro caso de infecção fora da África, tendo contraído o vírus ao tratar de um missionário repatriado do continente africano para a Espanha.

As 15 pessoas que foram isoladas por terem mantido contato com Teresa permanecem sem apresentar sintomas.

"Neste momento, não há nenhuma pessoa capaz de transmitir a doença", com exceção de Teresa, disse Fernando Rodriguez Artalejo, da Universidade Autônoma de Madri.

Rodriguez Artalejo recordou que o vírus só se transmite quando o paciente apresenta sintomas. "Sabemos e temos os meios adequados para controlá-lo", destacou, ao indicar que, no dia 27 de outubro, passados 21 dias do último contato da infectada, a doença estará contida no país.

Chile. Um homem de 54 anos que era suspeito de estar infectado por Ebola testou positivo para malária no Chile. O paciente havia sido isolado no hospital Lucio Cordova, em Santiago.

Um teste rápido descartou a possibilidade de Ebola no homem, que trabalhava construindo pontes na Guiné Equatorial, país da África sem registro da doença.

"O paciente não corresponde ao que epidemiologicamente consideramos um caso suspeito de Ebola", disse a ministra da Saúde chilena, Helia Molina. "Ele foi isolado e exames foram realizados. Finalmente, o teste de malária resultou positivo", acrescentou./AFP, AP E EFE

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