Escassez de anestésico impede aplicação de pena de morte nos EUA

A falta do sódio tiopental fez Oklahoma adiar uma execução no mês passado; abastecimento vai denorar

Associated Press, AP

27 Setembro 2010 | 17h02

Algumas execuções nos Estados Unidos foram suspensas por conta da escassez de uma das drogas usadas nas injeções letais usadas em vários Estados.

 

Diversos dos 35 Estados que se valem desse meio para executar condenados estão lutando para encontrar sódio tiopental - o anestésico que causa inconsciência no condenado - ou estudando adotar uma droga diferente. Mas ambas as saídas estão repletas de obstáculos éticos e legais.

 

A escassez fez Oklahoma adiar uma execução no mês passado e levou o governador do Kentucky a adiar a assinatura de duas sentenças de morte. O Arizona está tentando obter a droga a tempo para sua próxima execução, marcada para o fim de outubro.

 

O único fabricante da droga nos EUA, Hospira Inc., atribui a falta do produto a problemas não especificados em sua matéria-prima e diz que novos lotes de tiopental só estarão disponíveis em janeiro.

Nove Estados têm um total de 17 execuções marcadas até lá.

 

"Estamos trabalhando para ter isso de volta ao mercado o quanto antes", disse o porta-voz da Hospira, Dan Rosenberg.

 

Mas pelo menos um especialista em pena de morte duvida da explicação da empresa, lembrando que a companhia já se manifestou contra o uso de seus produtos na execução de seres humanos. A Hospira também faz os dois outros produtos usados na injeção letal.

 

O sódio tiopental é um barbitúrico, usado principalmente para anestesiar pacientes em cirurgias e induzir coma. Também já foi usado para ajudar doentes terminais a cometer suicídio e, às vezes, no sacrifício de animais.

 

Trinta e três Estados que adotam a injeção letal empregam o sistema de três drogas criado na década de 70: primeiro, o tiopental é usado para fazer o condenado dormir. Em seguida, duas outras substâncias são injetadas, o brometo de pancurônio, que paralisa os músculos, e o clorido de potássio, que faz parar o coração.

 

Dois Estados, Ohio e Washington, se valem de uma única overdose de tiopental para causar a morte do condenado.

 

A possibilidade de os Estados que usam a droga passarem a importá-la é remota, já que as autoridades sanitárias não reconhecem nenhum fabricante estrangeiro da substância. Já a mudança na fórmula da execução poderia causar longas batalhas legais.

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