Esclerose, a doença disfarçada em pequenos surtos

A esclerose múltipla é a doença neurológica que mais atinge adultos jovens em todo o mundo. Recentemente a atriz Cláudia Rodrigues declarou ser portadora da doença. Agora, o que ela pretende é mostrar que é possível levar uma vida normal mesmo com o problema. Até saber que era portadora de esclerose múltipla (EM), a atriz Cláudia Rodrigues achava que a doença era exclusiva de velhinhos. "Confundia com arteriosclerose", diz a intérprete de Marinete, da série "A Diarista", da "Globo". Segundo a Federação Internacional de Esclerose Múltipla, a doença neurológica é a mais comum entre adultos jovens. Cláudia, que tem 36 anos, recebeu o diagnóstico seis anos atrás, após sentir uma dormência no braço. No fim de julho a atriz teve seu segundo surto. Cláudia acha que problemas pessoais desencadearam o processo, que paralisou um lado de seu rosto. Como a atriz, muita gente ainda pensa que a doença só atinge a terceira idade. "A incidência da EM vem aumentando entre crianças", diz a neurologista infantil Christiane Pedreira. Incurável, de origem auto-imune, nem sempre a EM tem fácil diagnóstico. "Os sintomas iniciais são fugazes e transitórios", explica o neurologista Charles Tilbery, da Santa Casa de São Paulo. Muitas vezes, os sinais persistem por uma semana e desaparecem. "Às vezes, a pessoa descobre que é portadora no segundo surto", conta Tilbery. Cláudia, como 80% das pessoas com a EM, tem a doença em sua forma remitente-recorrente. Os surtos acontecem, terminam e só voltam depois de um tempo. Mais rara, a esclerose múltipla progressiva afeta o sistema nervoso central do paciente de forma contínua. "A doença não é mutiladora", diz o coordenador do Ambulatório de Esclerose Múltipla do Hospital das Clínicas de São Paulo, Dagoberto Callegaro. A atriz diz que sua vida não mudou muito após o diagnóstico. Ela apenas procura não ler sobre a EM. "Não tenho medo, mas a cabeça é capaz de criar qualquer coisa. Só mexo com a doença quando ela mexe comigo", diz. Sintomas - Os sintomas mais comuns da EM costumam ser visão borrada, fadiga, fraqueza, formigamento, dormência nos braços ou pernas, incontinência fecal ou urinária, dificuldade para falar, entre outros. "Alguns pacientes podem ter apatia, euforia e choro súbito", diz a enfermeira Ivone Fernandes, do laboratório Schering do Brasil. Como a esclerose múltipla não tem cura, o objetivo do tratamento é aumentar o intervalo entre um sintoma e outro. Os medicamentos mais utilizados são os interferons, que reduzem os surtos e retardam a evolução da patologia. O medicamento é fornecido gratuitamente pela rede pública de saúde. Voltado ao público leigo, o site www.emrede.com.br traz informações sobre a esclerose múltipla com textos de fácil leitura.

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