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Escritor que fez documentário sobre suicídio assistido defende legalização

Após ser diagnosticado com Alzheimer, Terry Pratchett produziu documentário polêmico

BBC Brasil, BBC

13 Junho 2011 | 17h18

O escritor britânico Terry Pratchett, que produziu o documentário Choosing to Die ("Escolhendo morrer", em tradução livre) sobre suicídio assistido, defendeu a legalização da prática e a realização de um debate sobre o tema na Grã-Bretanha.

O documentário, transmitido nesta segunda-feira em um canal doméstico da BBC britânica, vem causando grande polêmica no país por mostrar o momento da morte do milionário britânico Peter Smedley, que se internou em uma clínica suíça especializada em suicídio assistido, a Dignitas.

Pratchett, conhecido pela série de livros de fantasia Discworld, foi diagnosticado com o mal de Alzheimer em 2008 e é ativista pela legalização suicídio assistido na Grã-Bretanha.

Durante as filmagens do documentário, o escritor, de 62 anos, disse que "acredita firmemente no suicídio assistido" e que gostaria de saber se poderá pôr fim a sua própria vida antes de ser dominado pela doença degenerativa.

"Eu gostaria de ver na Grã-Bretanha uma análise dos métodos de suicídio assistido para que possamos considerar o que é melhor e mais apropriado para os britânicos", disse Pratchett.

A organização Care Not Killing, que realiza campanhas contra a prática no país, acusou a BBC de agir como "líder da torcida pela legalização do suicídio assistido" por transmitir o documentário.

'Raiva'

Smedley, de 71 anos, optou pelo suicídio assistido algum tempo depois de ter sido diagnosticado com um tipo de Doença do Neurônio Motor, que provoca paralisia muscular.

Sua esposa o acompanhou durante o procedimento, que também foi filmado por uma equipe da BBC na clínica suíça com o consentimento do casal.

Em entrevista à revista britânica Radio Times, Pratchett disse que se emocionou durante os últimos momentos de Smedley e afirmou que não gostaria de morrer na clínica suíça.

"O que mais me dá raiva é que tenho certeza de que se Peter não tivesse que ir para a Dignitas, ele provavelmente ainda estaria vivo. Se houvesse algum lugar na Inglaterra para onde ele pudesse ir, quando (a doença) se tornasse demais para ele."

Um dos argumentos para a legalização do suicídio assistido é o fato de que boa parte dos pacientes que sofrem de doenças terminais precisam viajar para realizar a prática quando ainda estão física e mentalmente capazes.

Cogitando o suicídio

O escritor é um dos patrocinadores da organização Dignity in Dying, que faz campanhas pela mudança na lei sobre o procedimento para adultos portadores de doenças terminais, mas mentalmente capazes.

Já a Care Not Killing propõe a promoção de "mais e melhores" cuidados paliativos, em vez da legalização do suicídio assistido.

Clínicas na Suíça, onde a prática é legal há décadas, recebe centenas de pessoas de outros países europeus, principalmente da Alemanha e da Grã-Bretanha, onde a prática não é permitida.

"Eu acredito que todos os que possuem uma doença debilitante e incurável deveriam ter a permissão de escolher o momento de sua morte. E eu gostaria de saber sobre a Dignitas, caso queira ir para lá", disse Pratchett.

Segundo o jornal britânico The Telegraph, o escritor já teria recebido os formulários para realizar o procedimento na clínica, mas ainda não teria decidido se iria para lá. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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