Escutar e acolher pode transformar a vida de quem tem depressão
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Escutar e acolher pode transformar a vida de quem tem depressão

Em evento online, especialistas debateram a importância de repensar a abordagem sobre depressão e suicídio

Janssen, Media Lab Estadão
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18 de setembro de 2020 | 11h13

Conversar abertamente sobre depressão em prol de um ambiente mais favorável para quem precisa de ajuda especializada – essa é a base do Movimento Falar Inspira Vida, uma iniciativa liderada pela Janssen, empresa farmacêutica da Johnson & Johnson, lançada em parceria com instituições que defendem a causa da saúde mental: Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-USP), Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), associação Crônicos do Dia a Dia (CDD), Centro de Valorização da Vida (CVV), Instituto Vita Alere, Vitalk e VejaSAÚDE.

Como parte das ações, o movimento acaba de lançar o guia Depressão: Quando saber falar e ouvir inspira a vida, que exemplifica em linguagem informal e acessível situações vivenciadas quando se tem por perto pessoas com sinais de depressão, sugerindo abordagens mais acolhedoras (veja quadro abaixo)

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, 10 de setembro, o Media Lab Estadão e a Janssen promoveram o evento online Falar Inspira Vida: O Movimento. Com moderação da jornalista Rita Lisauskas, o encontro reuniu profissionais de saúde e representante de pacientes com o objetivo de esclarecer dúvidas sobre a depressão. Afinal, o debate sobre um dos transtornos mais associados ao suicídio ajuda a disseminar conhecimento e contribui para uma sociedade mais preparada e livre de julgamentos sobre doenças mentais.

Ao fazer uma breve retrospectiva histórica, o psiquiatra Humberto Correa, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lembrou que a depressão já aparecia em escrito egípcio de mais de 4 mil anos atrás. Hipócrates, o pai da medicina, descreveu sintomas do que ele chamava de melancolia, muito semelhantes aos de quadros de depressão. “Falta de apetite, insônia, inquietação, ansiedade, desânimo”, enumerou Correa.

Número crescente de casos

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão atinge por volta de 300 milhões de pessoas, 12 milhões delas no Brasil. A explosão de casos observada nas últimas décadas, na opinião de Humberto Correa, tem entre suas explicações o mundo globalizado do século 21, caracterizado por um bombardeio de informações e uma busca incessante por produtividade. Outro ponto a se levar em consideração é que agora, diferentemente do que acontecia há cem anos, não faltam dados contabilizados e registrados da prevalência de todas as patologias, incluindo os transtornos mentais. “Até décadas atrás era comum ouvir que depressão se tratava de preguiça, falta de caráter ou falta de Deus”, justificou Humberto Correa.

Para desfazer uma equiparação comum entre depressão e tristeza, o psiquiatra exemplificou: “Todos temos momentos de tristeza, normalmente passageiros e ligados a circunstâncias da vida. Se estamos tristes e recebemos uma boa notícia, o humor muda”. Em alguém com um quadro depressivo, porém, ouvir uma boa nova não altera o estado de espírito.

Segundo o psiquiatra Daniel Martins de Barros, professor colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e colunista do Estadão e da Band News FM, é preciso prestar atenção quando os sentimentos começam a interferir no convívio familiar, social e no trabalho. “Se a pessoa não consegue reagir por conta própria, é sinal amarelo de que não se trata só de tristeza. É hora de procurar ajuda”, recomendou.

Existe uma predisposição genética?

Ao responder a essa pergunta, Daniel Martins salientou a característica multifatorial da depressão, ou seja, ela surge de um conjunto de causas. “A carga genética é um fator de risco, não um destino”, fez questão de esclarecer. “Tem gente que tem uma genética que produz ossos mais fortes, outros têm mais tendência à osteoporose”, comparou. “Aí a pessoa toma uma martelada e quebra o dedo. Foi a martelada? Não, porque quem tinha o osso forte e tomou a martelada e não quebrou. Foi a genética? Não, porque quem tinha o osso fraco e não tomou a martelada não quebrou”, exemplificou. Ou seja, se pai, mãe ou irmão têm depressão, aumenta a probabilidade, mas não necessariamente a doença vai se manifestar.

Entender essa diversidade é importante inclusive na hora de estabelecer o plano terapêutico, que deve ser multidisciplinar, com associação de medicamentos, psicoterapia e autocuidado. Nesse sentido, a família tem um papel crucial. “Quando a pessoa tem depressão, o entorno dela adoece também”, disse Marta Axthelm, presidente da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata). Ao participar dos grupos de apoio mútuo, o familiar passa a ter um entendimento maior e pode auxiliar, acompanhando as consultas e até administrando os medicamentos nos momentos em que o paciente tem mais dificuldades em organizar sua rotina.

Entre as barreiras para o diagnóstico precoce, Marta Axthelm apontou uma espécie de autopreconceito em aceitar a alteração na saúde mental: “Muitas vezes a pessoa no primeiro quadro depressivo fica receosa em assumir o que está sentindo”, resumiu. Por isso é tão importante falar abertamente sobre o tema, buscando informação qualificada, sem banalizar o termo ou criar estigmas em torno dele. “A depressão não é uma escolha, assim como ninguém escolhe ter diabetes”, comparou a psicóloga Karen Scavacini, CEO do Instituto Vita Alere.

Reconhecer os indícios de depressão com a máxima antecedência aumenta a efetividade do tratamento, que deve se estender pelo tempo adequado. Segundo o psiquiatra Sergio Perocco, gerente médico de Neurociências na Janssen Brasil, muitas vezes o paciente colhe bons resultados e, ao se sentir melhor, interrompe os cuidados. “Isso pode levar a recaídas e a novos episódios”, alertou.

​Os efeitos da pandemia

Nas respostas a uma enquete durante o evento, 42,5% dos participantes disseram ter apresentado sintomas de depressão nesse período.“É natural que isso aconteça. É uma situação atípica estar diante de uma crise sanitária e econômica como essa”, avaliou Humberto Correa. “O que não é natural é que isso passe a interferir no funcionamento da pessoa”, completou.

O fato é que os desdobramentos da crise da Covid-19 têm impacto na saúde mental da população e o cenário preocupa os especialistas. Pesquisa feita pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em parceria com o Hospital New Haven, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, analisou o comportamento dos brasileiros entre março e abril de 2020 e apontou um aumento de 90% nos casos de depressão entre março e abril de 2020.

As crianças não estão isentas do problema. Por essa razão, é fundamental que os pais estejam atentos aos sinais. Muitas vezes os pequenos demonstram um grau de irritabilidade maior, comportamentos eventualmente mal interpretados como desobediência, por exemplo. Mas essa manifestação pode ser um pedido de ajuda. “Cuidado nunca é demais. Vale fazer uma avaliação para saber se precisa de um cuidado especializado”, disse Karen Scavacini.

É possível amenizar as dificuldades

Karen Scavacini listou algumas estratégias para minimizar os efeitos desse período de crise

  • Entender que é uma fase, e que vai ter um fim.
  • Reconhecer o medo e tentar manter o contato social, mesmo online, procurando pessoas de confiança para conversar.
  • Buscar fontes confiáveis de informação, como o site da Organização Mundial da Saúde e o do movimento Falar Inspira Vida.
  • Diminuir o tempo acessando notícias e acompanhando o aumento no número de casos da Covid-19.
  • Entender quais são os gatilhos, aquilo que está desencadeando os sentimentos ruins.
  • Estimular ações compartilhadas, como ajudar alguém, mesmo remotamente.
  • Investir em estratégias para diminuir o estresse, como meditação, leitura, exercícios de respiração.
  • Estabelecer uma rotina para cuidar do corpo, fazer atividade física e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.
  • Ficar atento aos sintomas e, quando eles não passarem com as estratégias de autocuidado, buscar ajuda de um profissional de saúde.
  • Para quem já está em tratamento de saúde mental, não parar por conta própria.

Prevenção ao suicídio

“Dentre as doenças mentais, a que está mais associada ao suicídio é a depressão não tratada”, destacou Humberto Correa. De acordo com a OMS, todo ano mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio. O fenômeno entre jovens já é um problema de saúde pública em todo o mundo.

Como a depressão em suas formas mais severas pode ser um gatilho de ideação suicida, a ajuda médica é fundamental para mudar essa realidade – daí porque o guia recém-lançado se propõe a transformar o julgamento em engajamento, estimulando assim a procura por orientação profissional.

“Vamos lembrar que ninguém está sozinho. Quem precisa de ajuda urgente tem o CVV, pelo número 188, com atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana”, indicou Karen Scavacini. “A prevenção ao suicídio é uma tarefa de todos, assim como olhar para os transtornos mentais de uma forma mais humanizada”, finalizou.

A boa notícia, é que, a julgar pelo resultado da segunda enquete feita durante o evento, vem aumentando a conscientização sobre a importância de estimular a busca por ajuda: mais de 65% dos respondentes declararam que, ao notar alguém próximo com sinais de depressão, incentivam a marcar uma consulta com psiquiatra ou psicólogo.

Mudando o tom da conversa

O guia Depressão: Quando saber falar e ouvir inspira a vida traz sugestões de como mudar a maneira de se expressar sobre depressão

Em vez de: “Você vai ficar o dia todo nesse quarto? Tem que levantar da cama”.

O que acolhe:Percebi que não está bem hoje. Vamos lá, eu vou te ajudar. Você pode não acreditar agora, mas a maneira como você se sente vai melhorar”.

“Tem uma diferença enorme entre as duas formas”, comentou a psicóloga Karen Scavacini. “A primeira vem com um julgamento, uma imposição. Uma dor que não é acolhida é mais difícil de passar. Já a postura mais acolhedora traz esperança de que possível passar por aquilo tudo.”

Em vez de: “Você é um ingrato em falar de suicídio. Tem tanta gente com problemas mais graves que o seu”.

O que acolhe: “Você está vivendo um momento muito difícil, né? Não consigo nem imaginar o que você está sentindo. Quer falar sobre isso?”.

“Se a pessoa está mal a ponto de ter uma ideação suicida e ouve alguma coisa que a recrimina, só aumenta o incômodo com o qual ela já não estava sabendo lidar”, ponderou Marta Axthelm. Diante de uma escuta empática, vai se dissipando a carga pesada. “Quando alguém pensa em suicídio, não quer se matar, quer acabar com a dor”, completou.

Em vez de: “Pobre não tem depressão. Precisa trabalhar, não tem tempo para esse tipo de frescura não.”

O que acolhe:Não se culpe por se sentir assim. A depressão não escolhe classe social e é um mito achar que só os mais ricos passam por isso”.

Para o psiquiatra Humberto Correa, a primeira frase é um mito. “A depressão é uma doença democrática em relação a etnia e classe social”, contextualizou. O psiquiatra comentou ainda que equívocos como esse foram herdados de gerações anteriores. “Os estudos feitos na pandemia vão no sentido oposto a essa crença. As pessoas de nível social e econômico mais baixos são mais acometidas dos sintomas depressivos, porque estão mais vulneráveis em razão da grave crise sanitária e econômica.

Em vez de: “Nossa, nunca imaginei. Você não parece ter depressão”

O que acolhe: “Como você está lidando com isso? Como descobriu?”.

“Nem sempre os sinais de depressão são aparentes”, considerou o psiquiatra Sergio Perocco. “Comentários como esse geram sofrimento para quem decidiu se abrir e pensou muito antes de fazer isso justamente por causa dos estigmas.” O ideal em momentos assim é mostrar interesse no que a pessoa está dizendo e se colocar à disposição.

Em vez de: “Homem precisa sustentar a família. Depressão é coisa de homem fraco”

O que acolhe: “Não entendo exatamente como você está se sentindo agora, mas saiba que você não está sozinho nessa. Conte comigo”.

Em sua experiência na Abrata, Marta Axthelm já constatou que em geral a mulher é mais ativa na procura por tratamento médico, em qualquer área da saúde. “A resistência dos homens em buscar ajuda amplia os problemas na família, no trabalho, em todos os aspectos da vida”, disse. Quando finalmente buscam ajuda, logo se dão conta de que compartilhar os sentimentos com quem vive situação semelhante é o primeiro passo para reverter o problema.

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