Espanha lidera doações e transplantes de órgãos no mundo

País ostenta posto há 19 anos, apesar de em 2010 doações terem caído pela 1ª vez na década

REUTERS

11 Janeiro 2011 | 21h04

A Espanha continua sendo líder mundial em doação e transplante de órgãos há 19 anos, apesar de em 2010 o número de doadores ter caído pela primeira vez em uma década, informou na terça-feira o Ministério da Saúde.

No ano passado houve um total de 1.502 doadores de órgãos, o que significa 32 doadores para cada milhão de habitantes, leve baixa em relação aos 1.605 doadores registrados em 2009, segundo dados do balanço da Organização Nacional de Transplantes (ONT).

"Continuamos tendo as taxas de doações mais altas do mundo, muito acima dos números da União Europeia, Estados Unidos ou outras regiões do mundo", disse em entrevista coletiva o secretário-geral da Saúde, José Martínez Olmos.

Esses números permitiram realizar um total de 3.773 transplantes, dos quais 2.225 foram de rim, 971 de fígado, 235 de coração, 243 de pulmão, 94 de pâncreas e cinco de intestino, informou o ministério.

Para Martínez Olmos, a principal causa desta queda na quantidade de doadores está "na diminuição das mortes encefálicas e, portanto, de pessoas que podem ser doadoras de órgãos depois de seu falecimento em uma Unidade de Terapia Intensiva".

Outro fator que colaborou para esta redução de doadores foi a importante queda nos acidentes rodoviários.

"A diminuição de mortes e acidentes nas estradas é um dos principais fatores que implicam, em parte, a redução do número total de doadores", expressou Martínez Olmos.

Nos últimos cinco anos, o número de doadores procedentes de acidentes de trânsito caíram de 249, em 2005, para 85, em 2010. Essa queda sistemática se agravou no último ano, quando os doadores acidentados representaram 5,7 por cento do total frente aos 8,3 por cento em 2009, destacou o ministro.

MAIS DOAÇÕES ENTRE IDOSOS

Por outro lado, o maior número de doações em 2010 voltou a ser entre pessoas mais velhas, já que 46,6 por cento dos doadores têm mais de 60 anos. Também aumentou em dois anos a idade média do doador, de 54,6 anos, em 2009, para 56,5 anos, em 2010, acrescentou o ministério.

Cabe destacar também a cultura de doação dos imigrantes, cujos índices foram semelhantes aos dos espanhóis depois que 139 pessoas não nascidas na Espanha doaram seus órgãos em 2010, o que representa 9,3 por cento do total de doadores.

Além disso, os dados da ONT registraram máximas históricas em transplante renal de doador vivo.

Em 2010, a modalidade de doador vivo se espalhou por toda a Espanha e a prática já é feita em 30 hospitais de 14 comunidades autônomas. Graças a isso, foram feitos 240 transplantes renais de doadores vivos, o que significa 10,7 por cento do total.

"Sempre devemos levar em conta que a doação de órgãos é um ato supremo de generosidade. Ao doar, sabemos que estamos presenteando uma vida", disse Martínez Olmos.

A lista de espera para receber um transplante está atualmente em 5.500 doentes, indicou o ministério espanhol.

(Reportagem de Jesús Buitrago)

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