Alvaro Barrientos
Alvaro Barrientos

Com mais de 1,5 mil novos casos de coronavírus em um dia, Espanha impõe confinamento

Espanhóis só poderão sair de casa por motivo de trabalho ou necessidade máxima; país já tem 5,7 mil infectados

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2020 | 10h40
Atualizado 15 de março de 2020 | 13h42

Com mais de 1,5 mil novos casos de coronavírus em um dia, a Espanha impôs neste sábado, 14, um confinamento quase total para seus 46 milhões de cidadãos, que só poderão sair de casa por motivo de trabalho ou necessidade máxima, como comprar comida, a fim de frear a propagação do novo coronavírus.

A medida, de aplicação imediata e anunciada pelo chefe de governo, Pedro Sánchez, faz parte de um amplo pacote de medidas aprovado dentro da declaração do estado de alerta por 14 dias no país, o segundo mais castigado na Europa pela covid-19, com mais de 5,7 mil infectados.

Os cidadãos só poderão sair de casa para ir ou voltar do trabalho, fazer compras essenciais, ajudar idosos, crianças ou pessoas dependentes, passear com animais e ir a centros de saúde ou instituições financeiras, em casos de força maior.

“A circulação terá de ser realizada individualmente, exceto para as pessoas com dificuldade motora”, indicou Sánchez após uma reunião extraordinária do conselho de ministros, que durou mais de sete horas.

Em menos de uma semana, o número de infectados na Espanha cresceu dez vezes. Além de limitar a circulação de pessoas, o governo determinou o fechamento do comércio, ratificou a suspensão das aulas aplicada nos últimos dias e se dotou da capacidade de intervir em bens privados, em seus esforços contra o coronavírus.

Em um país altamente descentralizado, com as responsabilidades sanitárias nas mãos de cada uma de suas 17 regiões autônomas, o estado de alerta permitirá a Sánchez e seus ministros assumir a gestão de todo o território.

A região mais afetada é a de Madri, que reúne metade dos casos (2.940), seguida pela Catalunha (509). Apesar da concentração na capital, todas as 17 comunidades autônomas já confirmaram infecções.

As medidas duras divergem da postura adotada até a semana passada pelos governantes espanhóis, agora criticados por permitirem grandes aglomerações e não restringirem eventos e deslocamentos ainda no início do surto.

Grande atos. No fim de semana passado, a Espanha já tinha quase 500 casos e 5 mortes confirmadas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas manteve grandes atos já marcados. No sábado, um grande ato pelo Dia Internacional da Mulher ocorreu em Madri. No dia seguinte, o partido Vox organizou um comício com 9 mil pessoas na capital. 

Até então, não havia nenhuma recomendação para evitar aglomerações. O governo só suspendeu as aulas na terça-feira, quando o número de casos de covid-19 havia saltado para 1.024, segundo a OMS.

Brasileiros que vivem na Espanha confirmaram que, até a semana passada, a vida seguia normal na capital do país. “No fim de semana estava tudo aberto, as ruas estavam cheias por causa dos atos. Até fui ao museu no domingo. Tinha muita gente nos bares e restaurantes”, conta o publicitário Yan Graller de Oliveira, de 25 anos.

Ele se mudou de São Paulo para trabalhar em Madri há apenas dez dias e agora está confinado em casa. “Estamos trabalhando home office e procuro sair só para ir ao mercado. Sei que não estou no grupo de maior risco, mas evito sair na rua porque tenho medo de ficar doente sozinho aqui”, relata. 

Estados Unidos

Na tarde deste sábado, os Estados Unidos também anunciaram medidas mais drásticas para conter o coronavírus. Foram suspensos voos vindos do Reino Unido e da Irlanda, a partir da próxima segunda-feira, 16. O anúncio foi feito pelo vice-presidente americano, Mike Pence, durante coletiva de imprensa. 

O vice-presidente ressaltou que os cidadãos americanos e os residentes permanentes no país poderão voltar ao Estados Unidos. Na noite da última quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, já havia anunciado a suspensão de voos de 26 países europeus para os Estados Unidos pelos próximos 30 dias.  

Na ocasião, em um pronunciamento no Salão Oval da Casa Branca, o republicano disse estar "confiante" de que seu governo "reduzirá significativamente" a ameaça do surto para os cidadãos americanos. "Vamos derrotar o  coronavírus", exclamou Trump, ao dizer que os EUA estão fazendo o "maior esforço da história moderna" contra a doença, que teve origem na China.  

A inclusão da Irlanda e do Reino Unido significa que cerca de 500 milhões de cidadãos britânicos e da União Europeia estão proibidos de viajar para os  Estados Unidos. Por outro lado, os cidadãos dos EUA não foram proibidos de entrar no Reino Unido e na Irlanda./COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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