Especialista americano afirma que Ebola pode sair do controle

Diretor de centro especializado pediu mais ação no combate ao vírus; para ele, 'situação é muito pior do que mostram os números'

O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2014 | 15h01

ATLANTA - O diretor do Centro Americano de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), Tom Frieden, advertiu nesta terça-feira, 2, que há risco de que a epidemia do vírus Ebola saia do controle. Para combater de forma mais eficaz o avanço da doença, Frieden pede uma resposta global. "Não é só um problema da África Ocidental, é um problema para todo o mundo e que todo o mundo deve responder", disse.

De acordo com o especialista, apesar do esforço americano, do CDC e de outros países, o número de mortes vem aumentando em ritmo acelerado e há um temor de que se aumente ainda mais antes de que se possa controlar a situação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu recentemente que os o número de afetados poderia atingir os 20 mil antes que se combate com sucesso o avanço da doença.

"Estamos convocando todos os governos, todas as organizações, todos que podem fazer algo, para que se faça algo", disse o responsável pela CDC. "Vimos epidemias de Ebola antes, mas essa é a primeira que se espalhou amplamente em diversos países e é um espiral fora de controle", acrescentou Frieden.

Na sua opinião, a situação atual é "muito pior do que mostram os números". "É crucial agir com rapidez. A ação hoje vale muito mais do que a ação dentro de duas semanas ou um mês", disse. 

A visão do CDC foi reforçada pela instituição Médicos Sem Fronteiras, que afirmou que "o mundo está perdendo a batalha". "Os líderes não tomam as decisões adequadas contra esta ameaça transnacional", disse a presidente do órgão, Joanne Liu.

De acordo com Joanne, em Serra Leoa, país também afetado pelo vírus, cadáveres altamente infecciosos estão apodrecendo nas ruas. No total, a doença deixou até o último levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) 1.552 mortos entre 3.069 infectados. 

Greve. Enfermeiras do Hospital John F. Kennedy na capital da Libéria, Monróvia, iniciaram nesta terça-feira uma greve para exigir melhores salários e uma maior proteção contra o vírus Ebola, que já causou 694 mortes no país. O porta-voz das enfermeiras, John Togba, explicou que as auxiliares de saúde carecem de equipamento necessário para se proteger do vírus, que é transmitido por contato direto com o sangue, fluídos corporais de pessoas e animais infectados. 

De acordo com Togba, essa carência está causando o aumento do número de contágios e mortes entre os profissionais de saúde do país. Essa situação tem feito com que os servidores se sintam receosos em retornar aos postos de trabalho por medo de contágio. O Hospital John F. Kennedy é um dos grandes centros de tratamento e isolamento para infectados por Ebola no país.

Nas palavras de Togba, os profissionais de saúde se sentem pouco recompensados diante do trabalho de alto risco ao qual estão expostos. A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, reiterou o compromisso das autoridades em melhorar as condições de trabalho dos servidores de saúde. "Como governo, temos que fazer tudo que está ao nosso alcance para manter os trabalhadores seguros, já que salvam vidas", disse./AFP E EFE

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