Especialistas acham anticorpo que 'sufoca' vírus da dengue

Cientistas isolaram num paciente de Cingapura um poderoso anticorpo capaz de sufocar e matar o vírus da dengue, e esperam que isso possa resultar em uma nova arma para o combate à doença.

TAN EE LYN, REUTERS

20 de junho de 2012 | 19h45

Não existe atualmente cura para a dengue, que mata 20 mil pessoas por ano, muitas delas crianças. O tratamento se restringe a combater os sintomas.

O anticorpo isolado em Cingapura estava entre 200 mil exemplares colhidos junto a cem pacientes que tiveram a doença e se recuperaram. Ele parecia capaz de matar todas as cepas conhecidas do subtipo 1 do vírus da dengue, segundo estudo a ser publicado na quinta-feira pela revista Science Translational Medicine.

Há quatro subtipos diferentes do vírus da dengue, doença que provoca febre e dores intensas.

Lok Shee-Mei, da Escola de Pós-Graduação Médica Duke-NUS e integrante da equipe responsável pela pesquisa, disse que o anticorpo “"mata o vírus da dengue antes mesmo que ele tenha a chance de infectar qualquer célula".

Em experimentos com ratos, os pesquisadores viram que o anticorpo se estica sobre as proteínas superficiais do vírus, sufocando-o e isolando-o.

"Quando o vírus quer infectar células, ele precisa respirar e se expandir, então suas proteínas superficiais passam por ligeiras mudanças (...), mas esse anticorpo se amarra às proteínas superficiais, de modo que as proteínas não conseguem mudar de forma alguma. O vírus é incapaz de contaminar", disse Lok por telefone, de Cingapura.

Em comparação a outros compostos químicos que estão sendo desenvolvidos contra a dengue, o anticorpo matou mais vírus e agiu mais rapidamente, segundo Paul MacAry, autor principal do estudo, que é professor-associado de microbiologia da Universidade Nacional de Cingapura.

Os pesquisadores planejam em breve realizar testes clínicos em Cingapura com o anticorpo em pessoas contaminadas com a dengue tipo 1.

Enquanto isso, a equipe está vasculhando sua biblioteca e espera encontrar anticorpos igualmente poderosos, especialmente contra os subtipos 2, 3 e 4.

MacAry disse que sua equipe já achou o anticorpo contra o subtipo 2, mas que ele ainda está em fase preliminar de testes.

Segundo ele, "90 por cento de toda a dengue em Cingapura é do tipo 1 ou 2. Isso significa que dentro de seis meses a um ano teremos dois anticorpos que nos permitirão tratar a maioria dos pacientes em Cingapura".

Tudo o que sabemos sobre:
CIENCIADENGUEANTICORPOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.