Especialistas alemães advertem que persiste ameaça da E. coli

Embora as suspeitas do Instituto Robert Koch sobre a origem do agente patogênico tenham sido confirmadas, 'persiste o risco da infecção por contato físico'

Efe,

13 Junho 2011 | 10h56

BERLIM - As autoridades de Saúde alemãs advertiram neste sábado que a ameaça da variante letal da bactéria E. coli, que causou 36 mortos na Europa, persiste apesar de ter sido localizado o foco da infecção em uma fazenda de sementes germinadas da Baixa Saxônia.

 

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Embora as suspeitas do Instituto Robert Koch sobre a origem do agente patogênico tenham sido confirmadas, "persiste o risco da infecção por contato físico", assinalou neste sábado um porta-voz do Ministério de Assuntos Sociais do cêntrico estado federado de Hesse.

 

A falta de higiene na cadeia alimentar pode gerar novos focos da perigosa variante O104 da bactéria E. coli, advertiu o Ministério, que fez um chamado à prevenção e a manutenção das normas de higiene.

 

 

 

As denúncias na Alemanha de possíveis casos de infecções epidêmicas nas clínicas e hospitais afetados demoram até uma semana para chegar ao Instituto Robert Koch de virologia em Berlim, revela neste domingo o especialista em saúde do Partido Social-Democrata Alemão (SPD), Karl Lauterbach, no dominical Bild am Sonntag.

 

As denúncias chegam, sempre pelo correio, em primeiro lugar para o escritório de saúde local, que as encaminha ao escritório de Saúde do estado afetado e este, por sua vez, repassa ao Instituto Robert Koch, responsável na Alemanha pelo combate às doenças de caráter epidêmico.

 

"As clínicas deverão no futuro denunciar esses casos por e-mail diretamente ao Instituto Robert Koch", exige Lauterbach, que ressalta que o surto da variante agressiva da bactéria E. coli terá consequências muito graves para vários afetados pela doença.

 

"Cerca de cem pacientes apresentaram danos renais tão fortes que precisam de transplante ou serão obrigados a submeterem-se a diálises periódicas pelo resto da vida", ressalta o analista em Saúde do SPD, quem adverte que "no futuro voltarão a ocorrer novas infecções de 'E. coli' na Alemanha".

 

O próprio ministro da Saúde, Daniel Bahr, reconhece no mesmo rotativo a necessidade de melhorar o sistema de alarme e a rede de informação para evitar que se repitam casos iguais. "Uma vez controlado o surto de 'E. coli', os estados e a federação deverão avaliar conjuntamente o trabalho realizado. Considero muito importante o fluxo de informações entre as instituições envolvidas", assinala Bahr, que anuncia que o sistema de alarme será revisado.

 

Por sua vez, a ministra de Agricultura e Defesa do Consumidor, Ilse Aigner, anuncia no dominical Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung as consequências para o sistema de controle alimentar. "Pedi às autoridades dos Länders (estados) que verifiquem em todo o país os produtores e importadores de brotos, até mesmo as importações de sementes", assinala Aigner.

 

O anúncio da ministra acontece após a contraprova do Instituto Robert Koch confirmar no sábado que a origem da infecção está em uma fazenda de produção orgânica de brotos na localidade de Bienenbüttel, no estado da Baixa Saxônia.

 

Embora o foco original da infecção tenha sido localizado nesse ponto, as autoridades sanitárias alemãs ainda desconhecem em parte a cadeia de distribuição dos brotos vegetais até os afetados e como a bactéria chegou à empresa.

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