Especialistas alertam para relação de risco entre covid-19 e obesidade
Conteúdo Patrocinado

Especialistas alertam para relação de risco entre covid-19 e obesidade

Impactos da pandemia para pessoas com obesidade e também com diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares preocupam representantes do setor de saúde

Nordisk, O Estado de S.Paulo
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

11 de novembro de 2020 | 16h43

O sobrepeso e a obesidade têm alarmado pesquisadores e profissionais da saúde durante a pandemia. Estudos publicados desde abril mostram que, entre pessoas nessas condições, o risco de testar positivo para covid-19 chega a ser quase 50% mais alto. Os pacientes com obesidade têm ainda 113% mais chances de precisar de hospitalização.

Segundo Cintia Cercato, médica endocrinologista do grupo de obesidade da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), no início da crise sanitária o tema foi pouco explorado. Contudo, publicações científicas e observações in loco passaram a apontar relações diretas entre as duas doenças. Atualmente, o País tem mais da metade da população com sobrepeso e cerca de 20% com obesidade.

“Pessoas com obesidade são mais hipertensas, têm mais diabetes, doença renal e problemas cardiovasculares. A associação com essas comorbidades pode indicar um risco”, explicou a médica durante o evento “Raio X da Obesidade: O que a covid-19 expôs sobre a vulnerabilidade do paciente?”, iniciativa realizada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida com patrocínio de Novo Nordisk.

Ela alerta para o fato de que o acúmulo de gordura abdominal diminui a capacidade pulmonar, podendo ampliar a gravidade em casos de covid-19. Além disso, diz que essa gordura leva a uma inflamação crônica que altera a imunidade. “O indivíduo obeso é mais suscetível a infecções virais. Por isso vemos a obesidade como um importante risco para desfechos desfavoráveis diante da infecção por Sars-CoV-2”, ressalta.

COMBATE AOS ESTIGMAS

Para Cintia Cercato, a pandemia descortinou a vulnerabilidade dos pacientes com obesidade. “O tratamento amplo ainda é pouco disponível. Para piorar, é uma doença negligenciada e estigmatizada, por isso eu vejo com bons olhos discutir essa agenda”, defende.

Embora a alimentação não saudável seja um dos principais fatores de impacto no excesso de peso, a médica diz que é preciso evitar análises isoladas. Ela explica que a visão negativa no tratamento começa ainda na fase escolar e prossegue, em muitos casos, para a vida adulta, dificultando o atendimento adequado. “Infelizmente, há profissionais de saúde que estigmatizam o paciente com obesidade. Em geral, ele é pouco investigado, e há casos em que o médico atribui qualquer queixa ao excesso de peso”, completa.

URGÊNCIA EM POLÍTICAS PÚBLICAS

Previsto desde 2011 no Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, o controle da obesidade foi a única meta não alcançada nos últimos anos. Entre 2006 e 2018, o percentual de pessoas com esse quadro cresceu 67,8%. Por isso, segundo Gisele Bortolini, doutora em nutrição e servidora na Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, uma das primeiras metas do Plano Nacional de Saúde é deter o crescimento imediato do problema.

Ela explica que a obesidade é um dos poucos fatores de risco modificáveis para reduzir o agravamento de covid-19. “Não significa querer que todos voltem ao índice de massa corpórea (IMC) 25, mas precisamos de políticas públicas para ofertar aos indivíduos que estão nessa condição os cuidados adequados e também políticas que favoreçam ambientes mais saudáveis.”

Nos municípios, o encaminhamento de ações de identificação, tratamento e monitoramento envolvendo obesidade e covid-19 se intensificou no cenário virtual, com novas possibilidades de treinamento online para as equipes das 5.570 secretarias de saúde, conforme explica Cristiane Martins Pantaleão, enfermeira, especialista em gestão pública e vice-presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). “O desafio é imenso, mas conseguimos torná-lo mais evidente na pandemia [...]. Apesar disso, pudemos identificar o quanto somos criativos e o quanto é preciso conhecer nosso território para atuar da melhor forma”, observa.

REFLEXOS NA SAÚDE PRIVADA

De acordo com Flavia Harumi Ramos Tanaka, gerente e especialista em regulação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), nos planos de saúde o sobrepeso e a obesidade constituem o segundo maior fator de risco para a carga global de doenças, com 56% dos pacientes diagnosticados em uma dessas condições.

Mesmo com revisões periódicas na cobertura mínima obrigatória para garantir o acesso dos beneficiários de planos de saúde ao tratamento clínico com nutricionistas, endocrinologistas, psicólogos e a cobertura de cirurgias, Flavia Tanaka aponta que ações complementares ainda são necessárias. “O objetivo é que as operadoras deixem de atuar como gestoras de acesso a serviços para se compreender como membros importantes na gestão da saúde como um todo, organizando a atenção a partir da entrada do beneficiário na rede, para que ele possa ser acompanhado ao longo de sua jornada com programas de promoção e prevenção”, diz.

IMPACTOS DA OBESIDADE NOS QUADROS DE COVID-19

Pessoas com obesidade têm:

+ 46% de chance de testar positivo para a doença 

+ 113% de chance de precisar de hospitalização 

+ 74% de chance de recorrer à internação em UTI

+ 48% de chance de morrer em função dos efeitos do novo coronavírus

Fonte: Individuals with obesity and covid-19: A global perspective on the epidemiology and biological relationships, pesquisa publicada na Obesity Review. Agosto/2020

PERIGOS DA OBESIDADE NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA

A necessidade de ações de monitoramento de fatores de risco e prevenção da elevação do peso entre crianças e adolescentes também foi citada pelos representantes e especialistas que participaram do webinar “Raio X da Obesidade”. Para eles, esse atendimento deveria ser alvo de atenção das políticas públicas, especialmente nas chamadas fases críticas de desenvolvimento, que ocorrem no período intrauterino (gestação), nos primeiros anos de vida e na adolescência. “Sabemos que cerca de 90% das crianças que têm obesidade precoce, até os 3 anos de idade, serão adolescentes obesos. E 84% desses adolescentes se tornam adultos obesos”, indica a endocrinologista Cintia Cercato.

Estudo divulgado pela consultoria McKinsey Global Institute, em 2014, já alertava para os prejuízos da doença nessa faixa etária não apenas para a saúde dos indivíduos, mas também em relação aos envolvidos. De acordo com o levantamento, a obesidade no País causa um prejuízo equivalente a 2,4% do PIB nacional (cerca de R$ 110 bilhões na época em que o estudo foi lançado). Mundialmente, a pesquisa também mostrou que 33% das crianças apresentavam sobrepeso e que, se nenhuma ação for tomada até 2030, mais da metade da população mundial será obesa.

No Brasil, além de monitorar os casos, um dos grandes desafios, diz Gisele Bortolini, é qualificar as ações ofertadas para cada público. No caso da atenção às crianças, explica, o objetivo do Ministério da Saúde é lançar um novo Atlas da Obesidade Infantil, além de delinear um plano que deverá contemplar questões relacionadas à qualidade da alimentação escolar e ações para envolver os municípios na criação de cidades mais saudáveis, especialmente para as crianças.

Para o médico e deputado federal Luiz Antônio Teixeira Júnior, que também participou do debate, o enfrentamento dessa situação deve agir no sentido de fortalecer ações nos campos do esporte, da psicologia e da educação, com seminários e formações para envolver os professores. Dados da Pesquisa Vigitel Brasil 2019, divulgada em abril, mostram que tanto casos de excesso de peso quanto de obesidade diminuem notavelmente com o aumento da escolaridade entre os entrevistados. “Isso é importante, pois a estigmatização começa na escola muitas vezes, já na infância e na adolescência”, conclui.

FRASES

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
[A obesidade] é uma doença negligenciada e estigmatizada
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Cintia Cercato, Médica endocrinologista

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Precisamos de políticas públicas para ofertar aos indivíduos que estão nessa condição os cuidados adequados
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Gisele Bortolini, Doutora em nutrição

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
O desafio é imenso, mas conseguimos torná-lo mais evidente na pandemia
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Cristiane Martins Pantaleão, Vice-Presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
A estigmatização começa na escola muitas vezes, já na infância e na adolescência
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Luiz Antônio Teixeira Júnior, Médico e deputado federal

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.