Marcelo Piu/Prefeitura RJ
Marcelo Piu/Prefeitura RJ

Médicos aprovam cabine de desinfecção no Rio, mas reforçam necessidade de cuidado tradicional

Pequeno túnel amarelo com um sensor de presença libera por borrifadores uma substância desinfetante batizada de Atomic 70

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 05h00

RIO - Um pequeno túnel amarelo com um sensor de presença que aciona borrifadores em seu interior e libera uma substância desinfetante batizada de Atomic 70. Aparentemente mirabolante, a nova aposta da Prefeitura do Rio contra o coronavírus é considerada válida por especialistas ouvidos pelo Estado. Está longe, porém, de substituir as medidas sanitárias básicas indicadas na prevenção à doença: higienizar as mãos, usar máscaras e praticar o distanciamento social.

“Muito mais importante que isso é distribuir máscaras e álcool gel nos transportes públicos. É uma ação de marketing para conscientizar as pessoas de que há um problema de saúde pública, o que é válido, mas não sei se será efetivo”, diz ao Estado Edmilson Migowski, professor de Infectologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O Atomic 70 é produzido pela Dioxide Indústria Química, de Indaiatuba, no interior de São Paulo, e validado pela Anvisa. De acordo com a empresa, ele combate não só a covid-19, sendo eficaz contra outros tipos de vírus como o da influenza, rubéola e zika vírus. A fabricante descreve o produto como um desinfetante de alto nível com ação antimicrobiana, cujo princípio ativo é o dióxido de cloro (CLO2), destinado principalmente à área de saúde.

Antônio Flores, infectologista do ambulatório de doenças infecciosas da Secretaria de Saúde de Porto Alegre, diz que o produto é seguro e usado inclusive na descontaminação da água. “O questionamento é se essa intervenção é efetiva o suficiente para valer o custo, já que temos outras medidas (eficazes) como higienização das mãos e uso de máscaras. Mas é mais uma tentativa do poder público de tentar reduzir o contágio pelo coronavírus”, diz o especialista.

A Prefeitura do Rio disse que inicialmente a fabricante do produto cedeu a cabine para testes. A fase atual é de negociações finais com o fornecedor, esclareceu. “A decretação do Estado de calamidade dispensa licitação diante da necessidade de combater com urgência a pandemia, mas toda a negociação está sendo feita com cuidado, custo-benefício, zelo ao erário público e a idoneidade determinadas por Lei”, afirmou por meio de sua assessoria de imprensa.

O Estado perguntou se houve algum estudo que demonstrasse o melhor custo-benefício da medida em comparação com outras, como a distribuição de máscaras e álcool em gel. A administração municipal informou que a prioridade é a proteção ao cidadão no combate à pandemia, conciliando o melhor custo e benefício e a total transparência. A Prefeitura do Rio afirma que também distribuirá máscaras de proteção à população.

Segundo a Prefeitura carioca, outros países, como China e Turquia, já utilizam a cabine. A adoção do mecanismo é vista como mais uma forma de combater a doença, somada a outros esforços como a desinfecção de estações de BRT, em parceria com as Forças Armadas, e áreas de comunidades realizadas pela Comlurb.

As duas primeiras cabines foram instaladas no último sábado, 19, no hospital de campanha construído no Riocentro, na zona oeste da cidade. A previsão é instalar outras cinco na Central do Brasil e em estações do metrô, das barcas e do BRT, a partir desta semana. A Prefeitura descarta que o intuito do uso das cabines seja ajudar a flexibilizar o isolamento social.

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