Especialistas desaprovam ação do Bird contra malária

Especialistas que lutam contra a malária acusaram o Banco Mundial (Bird) de não cumprir as promessas de ajudar a financiar o combate à doença. As críticas foram publicadas hoje, numa coluna da versão on-line da revista médica The Lancet. Em resposta, o Banco Mundial negou muitos problemas levantados na coluna, mas admitiu que seus programas contra a malária tiveram menos funcionários e fundos do que deveriam, no passado, e os representantes do banco insistem em que aprenderam com os erros e que as providências para acertar as coisas foram tomadas. Doença A malária mata mais de um milhão de pessoas a cada ano, muitas delas crianças na África - a despeito do fato de que a doença pode ser evitada e tratada. Cerca de 40% da população mundial corre risco de contrair a doença, a maioria nos países mais pobres do globo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Os 12 especialistas que assinaram o artigo em The Lancet, escrito pelo imunologista Amir Attaran, acusaram o banco de ter quebrado a promessa, feita em 2000, de oferecer entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões em fundos para a luta contra a malária na África. Eles também disseram que o Banco Mundial alegou sucesso na luta contra a doença, falsificando dados, e aprovou tratamentos clínicos obsoletos para uma forma potencialmente fatal de malária - acusações que a instituição nega. Falta de transparência "O banco falhou em emprestar à África fundos para o controle da malária, como disse que faria, e, em vez de admitir isso com sinceridade, escondeu o fato, usando explicações não transparentes e contraditórias", escreveu Attaran, que também atua no Instituto da Saúde Populacional na Universidade de Ottawa, no Canadá. Em resposta publicada ao lado do artigo de Attaran, representantes do banco argumentam que a instituição colocou entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões em esforços contra a malária no período de 2000-2005, mas acrescentam que foi difícil rastrear projetos específicos. Eles afirmaram que o banco se esforçará mais para fazê-lo no futuro. Notícias velhas Mais importante, os representantes insistiram em que o artigo de Attaran traz notícias velhas quando se trata do trabalho do banco em relação à malária na África. O banco disse em The Lancet que se comprometeu a doar US$ 1 bilhão a outros parceiros ao redor do mundo nos próximos cinco anos - cerca da metade disso direcionado somente para a África. O artigo opinativo e a resposta do banco foram publicados para coincidir com o Dia da Malária na África, que pretende chamar a atenção para os problemas relacionados com a doença.

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