Especialistas discutem no RS efeitos de antidepressivos

Mudanças pelo uso de antidepressivos e redução de emoções foram alvo de debates

Agência Estado

11 Junho 2010 | 22h21

SÃO PAULO - A hipótese de mudança de personalidade pelo uso de antidepressivos e a influência desses medicamentos na redução de emoções básicas foram alvo de discussões acaloradas na última quinta-feira, 11, no 6º Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, em Gramado, no Rio Grande do Sul, sem que os especialistas chegassem a um veredicto.

 

À plateia, o coordenador do fórum, Valentim Gentil, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), confessou ainda não ter opinião formada, mesmo após 20 anos de estudos sobre o tema administrando medicamentos a pessoas normais (base de suas pesquisas). "Em doses baixas, o que sabemos é que altera o humor de pessoas que não têm nenhuma doença mental", afirmou.

 

Em relato gravado em vídeo, ele mostrou o depoimento de um desses pacientes, que relatava não ter mais estresse e ter voltado ao tempo de adolescente com o medicamento. Apesar dessas mudanças positivas, o paciente disse sentir como se estivesse vivendo uma realidade artificial. Não quis mais tomar antidepressivo nem continuar participando do estudo.

 

Outra teoria é que, embora os antidepressivos melhorem os sintomas da depressão, não alteram traços da personalidade. "Não sentir como antes não significa mudança de personalidade", defendeu a doutora em Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Dóris Moreno. Segundo ela, uma paciente também citou experimentar emoções vividas há 20 anos com o uso do medicamento. "Como estão depressivas, elas vivem uma anestesia afetiva. Depois que são medicadas, voltam a ser como deveriam ter sido sempre."

 

Já Diogo Lara, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, acredita ser quase ingênuo pensar que os antidepressivos não interferem na personalidade dos pacientes. "O cérebro é um sistema integrado e harmônico e remédios são para mexer com o humor." Segundo ele, só 30% das pessoas ditas com temperamentos normais estão satisfeitas com o próprio temperamento. As informações são do Jornal da Tarde.

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