Especialistas dos EUA que investigam zika no Brasil criticam situação de laboratórios

Técnicos fizeram elogios à equipe técnica, mas disseram estar penalizados com as condições dos equipamentos nos Estados

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2015 | 16h58

BRASÍLIA - Integrantes do Centro de Controle de Doenças (CDC) que vieram ao Brasil para colaborar com as investigações da epidemia de nascimentos de bebês com microcefalia criticaram as condições dos laboratórios públicos do País. No encerramento de uma visita de quatro dias, técnicos fizeram elogios à equipe técnica, mas disseram estar penalizados com as condições dos laboratórios nos Estados. "Num país tão grande, é uma pena", comentou um dos participantes do grupo.

A equipe visitou ao longo destes dias centros de atendimento e analisou as linhas de investigação que estão em curso em Pernambuco, Estado que concentra 646 dos 1.248 casos suspeitos da má-formação no Brasil.

Diante do aumento de casos suspeitos, o Instituto Evandro Chagas (IEC), referência para esse tipo de pesquisa, está sobrecarregado. O atraso na liberação de resultados é visto como uma ameaça à agilidade na avaliação da epidemia e a até mesmo a definição dos rumos a tomar. A ideia do governo é ampliar os centros credenciados para fazer as análises. Já está definida a realização de cursos de capacitação para equipes de outros laboratórios e a compra de insumos necessários para fazer os testes de identificação do zika, vírus que é associado ao aumento súbito do número de nascimentos de bebês com a má-formação.

O vírus chegou ao Brasil este ano, espalhou-se por 18 Estados e provocou epidemias no Nordeste. Meses depois do aumento de casos em adultos, vigilâncias sanitárias começaram a identificar um aumento de casos de bebês com microcefalia, uma má-formação até então considerada rara que, em 90% dos casos, leva à deficiência mental, problemas de audição, locomotores e de visão na mesma região onde foram registrados os surtos. 

Logo se levantou a suspeita de uma ligação entre o surto de zika e os nascimentos de bebês com microcefalia. A relação foi comprovada no sábado passado, depois que o IEC comprovou a presença de traços do vírus no material coletado de uma criança, nascida no Ceará.

Ao contrário do que ocorre com a dengue, não há kits de diagnósticos para o zika. A confirmação da infecção é feita por meio de um exame mais trabalhoso, caro e demorado, o RT-PCR, que procura identificar material genético do vírus no sangue ou em tecidos. Justamente por isso, o diagnóstico até hoje para casos na população em geral era feito por meio de sintomas clínicos. Apenas uma amostra dos casos é encaminhada para avaliação.

Nesta quinta, a secretária-executiva de Vigilância em Saúde de Pernambuco, Luciana Albuquerque, afirmou que há possibilidade de o Laboratório Central de Pernambuco (Lacen) participar dessa nova rede.

O esforço para dar mais agilidade na análise dos casos teve início com a mudança nos critérios para classificação da microcefalia. A nova regra é mais restrita, algo que, na prática, vai reduzir a quantidade de casos novos suspeitos e, com isso, a demanda para investigação. A medida começou em Pernambuco e deve se estender para todo o Brasil. A equipe técnica do governo afirma que o critério agora adotado é o mesmo da Organização Mundial da Saúde.                            

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