Especialistas em Ebola são proibidos de assistir a conferência nos EUA

Profissionais barrados em Louisiana retornaram recentemente da África; autoridades disseram que medida visa a impedir contágio

NYT

06 Novembro 2014 | 08h57

Trinta especialistas em Ebola que viajaram recentemente para a África Ocidental, incluindo um oficial da Organização Mundial de Saúde (OMS), foram proibidos de assistir a uma reunião médica em Nova Orleans sobre doenças infecciosas.

O Departamento de Saúde e Hospitais de Louisiana advertiu médicos e outros profissionais que retornaram recentemente de Libéria, Guiné ou Serra Leoa para que não participassem da reunião anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene esta semana em Nova Orleans.

Em uma carta para as pessoas que se inscreveram para a conferência, autoridades de Louisiana disseram que medida era para impedir que as pessoas presentes na conferência infectassem as outras com o vírus do Ebola. Qualquer pessoa que viaja para a Louisiana três semanas após ter visitado a África Ocidental será confinada em um quarto de hotel, diz a carta. O Ebola tem um período de incubação de até 21 dias.

"Nós não vemos nenhuma utilidade em viajar para Nova Orleans para, simplesmente, ser confinado em um quarto", diz a carta, assinada por Kathy Kliebert, secretária do Departamento de Saúde e Hospitais, e Kevin Davis, diretor do Escritório de Segurança Interna do Governo e preparação para Emergências.

A sociedade de medicina tropical diz que a decisão da Louisiana não tem base científica. Pessoas com Ebola não contaminam outras pessoas até que comecem a mostrar sintomas, como febre, de acordo com um artigo de outubro no New England Journal of Medicine.

Em recomendações emitidas no mês passado, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) disseram que pessoas com risco de Ebola devem ser monitoradas duas vezes por dia para os sintomas.

O CDC pediu que as viagens sejam controladas apenas para as pessoas em "alto risco" de Ebola, como os profissionais de saúde que receberam o sangue de pacientes infectados diretamente em sua pele.

O CDC deixa que autoridades estaduais e locais decidam restringir ou não os movimentos de pessoas com "algum risco", como os trabalhadores de saúde que trataram pacientes com Ebola. Pessoas em "baixo risco" de ter Ebola - como aquelas que viajaram para a África Ocidental, mas não tiveram contato com os pacientes, devem ser autorizadas a viajar livremente, diz o CDC.

Mais de 4 mil especialistas em doenças infecciosas estão participando da reunião, o maior encontro mundial de especialistas em medicina tropical, para compartilhar ideias sobre o tratamento de pacientes.

Perder a perspectiva de médicos e enfermeiros que têm ajudado na África, incluindo o pesquisador da OMS Piero Olliaro, priva os outros da chance de aprender com a sua experiência, disse Alan Magill, presidente da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene.

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