REUTERS/Brian Snyder
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Especialistas falam sobre interação entre remédios e coronavírus; entenda

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Remédios para tratamento cardíaco, diabetes e inflamações podem piorar o quadro de quem for infectado pelo novo vírus

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2020 | 05h00
Atualizado 21 de março de 2020 | 18h38

Remédios para tratamento cardíaco, diabetes e inflamações podem piorar o quadro de quem for infectado pelo novo coronavírus. E especialista alertam: antes de trocar a medicação, é essencial consultar os médicos. O Estado levantou dúvidas com base em questões enviadas por leitores do grupo EstadãoInforma: Coronavírus, espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia criado pelo jornal no Facebook.

As respostas têm como base entrevistas com o farmacêutico Ismael Rosa, diretor acadêmico do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), do professor Eliseu Waldman, infectologista da Faculdade de Saúde Pública da USP, e também reportagens feitas pelo Estado. O grupo é um espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia na rede social. Qualquer usuário pode se inscrever e enviar suas dúvidas.

Hipertensos estão entre os grupos de risco do coronavírus?

Sim. A utilização de medicamentos para hipertensão como os inibidores de enzima conversora de angiotensina (iECA), como Captopril, Enalapril, Lisinopril, e também os bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA), Losartana e Valsartana, por exemplo, resultam em elevação dos níveis enzima conversora de angiotensina 2, conhecida pela sigla ECA-2.

Acredita-se que essa enzima esteja intimamente ligada ao coronavírus: o vírus precisa dessa enzima no organismo para infectar os tecidos do corpo – especialmente as células dos tecidos pulmonares, instestino e rins. Para pacientes infectados pelo novo coronavírus que tenham diabetes, hipertensão ou insuficiência cardíaca e usem esses medicamentos, a recomendação é que tenham ainda mais atenção no acompanhamento médico, uma vez que esses medicamentos podem potencializar a infecção no organismo.

Estudos preliminares chegaram a detectar esse efeito no uso do ibuprofeno. No entanto, com base em novas pesquisas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que, por ora, não há contraindicação para o uso do anti-inflamatório, antitérmico e analgésico ibuprofeno no tratamento de pacientes contaminados com o novo coronavírus

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O paciente deve cortar o uso desses medicamentos?

Não. Nenhum medicamento para hipertensão, diabetes ou qualquer quadro clínico específico deve ter o uso descontinuado sem orientação médica. A orientação é que o paciente procure o profissional com o qual se consulta – no caso dos hipertensos, um cardiologista – para saber se é o caso de substituição do remédio. Cortar o medicamento pode trazer complicações, e é essencial o paciente estar com a saúde estável se contrair o coronavírus, o que diminui influência negativa no quadro clínico.

Há substitutos para esses remédios?

Sim, mas somente o cardiologista que está acompanhando esse paciente pode avaliar. Dependerá da análise de risco e benefício para esse paciente. 

Se é um paciente que não teve exposição ao vírus, que não está numa região que é endêmica ainda, nem tem histórico de viagem para locais onde há epidemia, por exemplo, a troca de medicamento pode ser dispensada. 

É verdade que o medicamento favipavir ajuda no tratamento do coronavírus?

Os resultados do uso do favipavir para tratar infecções da covid-19 são preliminares. Os testes foram feitos em pacientes na China e, segundo as autoridades do país, o tempo médio de tratamento com o remédio foi de apenas quatro dias. Sem o favipavir, outros pacientes levaram 11 dias para testar negativo. Ainda segundo autoridades chinesas, radiografias mostraram melhoras na condição dos pulmões de 91% dos medicados, ante 62% no outro grupo. A droga é comercializada no mercado japonês desde 2014 com o nome Avigan.

Qual remédio ter em casa para tratar os sintomas? 

Nunca é recomendável ter “farmácias” dentro de casa. A primeira recomendação é conversar com um farmacêutico, que é o profissional mais acessível à população. É ele que pode dizer se, de acordo com os sintomas, é possível recomendar algum medicamento isento de prescrição – no caso de gripe, por exemplo –, ou se deve haver algum encaminhamento ao serviço de saúde. 

É preciso ter cuidado com o efeito de outros remédios para o coronavírus?

Sim. Os corticoides, por exemplo, são imunossupressores. Eles abaixam a imunidade e, automaticamente, se uma pessoa está com a imunidade baixa há preocupações relacionadas tanto com a covid-19 quanto com qualquer outro vírus ou infecção. Para quem faz uso desse remédio, a orientação é a mesma que vale para os grupos de risco: antes de mudar o uso do remédio, consulte um médico.

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