Especialistas: vírus da aids afetará humanidade por muito tempo

'O grande fracasso é que, em 30 anos, não pôde ser criada uma vacina, apesar do muito dinheiro investido', disse epidemiologista da Unaids

Efe

03 Junho 2011 | 10h28

 

GENEBRA - Passados 30 anos desde a descoberta do primeiro caso de HIV, que já infectou 60 milhões de pessoas e causou 25 milhões de mortes em todo o mundo, foram alcançados grandes progressos na luta contra a doença, mas os especialistas acreditam que o vírus seguirá presente por muito tempo.

 

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"Já passaram 30 anos de epidemia, por isso prefiro falar em endemia. Agora conhecemos muito melhor o vírus, mas evidentemente ele veio para ficar muito tempo", disse Jesús María García Calleja, epidemiologista da Unaids - Programa das Nações Unidas para o HIV-Aids.

 

"O grande fracasso é que, em 30 anos, não pôde ser criada uma vacina, apesar do muito dinheiro investido", afirmou.

 

Outro aspecto negativo apontado é o de que "apesar de conhecer os fatores de risco para contrair a infecção, em muitos países os soropositivos e os portadores de Aids seguem estigmatizados, o que favorece a transmissão, além de ser uma injustiça social", declarou.

 

Diante disso, García Calleja considera que houve dois grandes progressos na luta contra a Aids. "O primeiro deles é que há quinze anos foram descobertos os primeiros remédios efetivos contra o HIV, os antirretrovirais, que melhoram a qualidade de vida, ainda que não sejam uma cura", constatou.

 

De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem atualmente cerca de 33,3 milhões de infectados pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) no mundo, sendo que 65% dos casos estão concentrados na África Subsaariana.

 

Graças ao desenvolvimento dos antirretrovirais, cerca de 6 milhões do total de 13,5 milhões infectados que necessitam da medicação passaram a usá-la, o que representa uma cobertura de aproximadamente 40%. Além disso, metade das grávidas soropositivas do mundo recebe o tratamento.

 

García Calleja destacou que na América Latina - onde atualmente existem 1,8 milhões de pessoas infectadas - os tratamentos alcançam 60% dos doentes que os necessitam.

 

"Isto é possível porque estes países começaram muito antes da África a administrar estes remédios", acrescentou o especialista.

 

Em geral - e esse é outro dos grandes progressos registrados na história da Aids segundo o epidemiologista -, um dos principais motivos que permitiu a ampliação do acesso aos tratamentos foi a queda dos preços.

 

"O custo direto dos primeiros tratamentos com antirretrovirais ficava entre US$ 12 mil e US$ 15 mil por pessoa a cada ano", relatou. "Hoje em dia, na África o custo direto anual por pessoa é de US$ 140. Isto foi possível graças às pressões dos ativistas, aos fundos fornecidos pelos países ricos e a instituições como o Fundo Global".

 

Segundo um estudo realizado pela OMS em 2010, em 30 dos 56 países mais afetados pela Aids a epidemia estava diminuindo, tanto no que diz respeito à mortalidade como ao número de novas infecções.

 

"Tudo isso significa que os investimentos na luta contra a Aids têm apresentado resultados positivos", assinalou o especialista.

 

Porém, segundo García Calleja, há outro fator que contribuiu para estes avanços. "Ao contrário de outras doenças, a Aids provoca uma resposta das comunidades, dos próprios afetados", disse.

 

Sobre o futuro, o especialista da Unaids prevê que siga aumentando ou estabilizando o número de pessoas que vivam com a infecção, graças aos tratamentos.

 

"Também esperamos que diminua a transmissão vertical, de mãe pra filho. O objetivo fixado pela OMS neste sentido é chegar a uma redução de 90% deste tipo de transmissão até 2015", finalizou.

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