Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Isabela Palhares e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2018 | 03h00

SÃO PAULO - 1.012. Esse é o número de pessoas que teriam chegado antes do microempresário Eduardo Silva, de 32 anos, à Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila das Mercês, no Sacomã, zona sul da capital paulista. Entre a chegada, às 6 horas, e a saída, pouco depois das 15 horas, ele esteve acompanhado da mulher, da cunhada e de duas crianças de 4 anos (filha e sobrinho). Como não esperavam que “ia demorar”, tiveram de atrasar o almoço. “Um monte de gente estava passando e vendendo, comprei algumas coisas para beliscar.”

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Também na zona sul, na UBS Chácara Santo Antônio, o técnico em edificações Acrísio Santos, de 50 anos, diz ter chegado ao local às 10 horas e saído apenas às 17 horas.

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“As organizações são malfeitas, existem muitas pessoas cortando fila”, reclamou, destacando que o espaço nem distribuiu senhas. O Estado ainda encontrou filas em postos de todas as áreas, mesmo naquelas em que não há recomendação para vacinação.

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Procurada, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo ressaltou que as unidades citadas não fazem parte da campanha para vacinação preventiva, que agora tem como público-alvo todos os distritos da zona norte - onde 90 UBS estão aplicando vacina; três distritos da zona Sul (Parelheiros, Marsilac e Jardim Angela), além de parte do Capão Redondo. Na zona oeste, há recomendação só para moradores do Distrito Raposo Tavares (em três postos).

Com a grande procura, quem não se vacinou planeja madrugar nos próximos dias. A vendedora desempregada Jessica Rafael, de 26 anos, pretende ir à UBS Vila Nova Jaguaré, distrito de Jaguaré, zona oeste, por volta das 5 horas de amanhã. Ela chegou a procurar o local em outros momentos, mas por estar com o filho de 1 ano não conseguiu esperar. “Não quero tomar essa dose fracionada”, diz.

Já a vendedora Daniela Oliveira, de 35 anos, procurou o Hospital Rede Hora Certa da Penha, na zona leste, mas desistiu diante da fila e porque seus filhos (de 3, 11 e 16 anos) também teriam de esperar na rua. “Como trabalho no centro é mais tranquilo, mas, mesmo assim, tenho medo”, comenta.

Particular

A rede Drogasil anunciou que oferecerá a vacina a seus consumidores em até 16 filiais. Entre outros locais, a unidade da Rua Pamplona, nos Jardins, venderá doses apenas para adultos. A aplicação de vacinas por drogarias foi regulamentada em dezembro. 

Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácia e Drogarias (Abrafarma), além da Drogasil, já aplicam vacinas a Drogaria Araújo e a Nossa Drogaria Caxias, em Minas e no Rio, respectivamente.

O presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinação (ABCVAC), Geraldo Barbosa, afirma que há falta da vacina contra a febre amarela na rede particular de todo o País. Segundo ele, a demanda pela imunização aumentou em 300% nos últimos meses. O fabricante Sanofi Pasteur, principal fornecedor, diz que “continua buscando novas alternativas para suprir a demanda das clínicas”. 

A dose na rede particular tem preços entre R$ 160 e R$ 180 e a maior procura ocorre nos Estados de São Paulo, Rio e Bahia, conforme Barbosa. “Mas a demanda aumentou em todos os Estados.”  

 

Colégios enviam cartas para orientar pais de alunos

Para evitar que os pais entrem em pânico com o surto de febre amarela na cidade, colégios particulares de São Paulo estão enviando comunicados com recomendações sobre a vacina para as famílias dos alunos. “Começamos a orientar as famílias por carta em outubro, quando vimos que começava um alarde no WhatsApp”, disse Walter Assis, diretor do Colégio Monteiro Lobato, no Mandaqui, zona norte.

Do outro lado da cidade, o colégio Santa Amália, na Saúde, zona sul, também prepara uma carta para enviar aos pais. “Temos uma parceria com as famílias”, afirmou Maria Zélia Miceli, gestora da escola paulistana.

 

 

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Paula Felix e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2018 | 04h00

SÃO PAULO - China, Cuba e Emirados Árabes estão entre os destinos de quem aguardava nesta terça-feira, 16, por atendimento no Centro de Orientação do Viajante do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital. Por volta das 11 horas, cerca de 30 pessoas estavam no local para emitir o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia de febre amarela. Cartazes na entrada já avisavam: “o CIVP somente será emitido para os viajantes que se destinam a países que exigem (o documento)”. 

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Por enfrentar um aumento na procura, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) restringiu a emissão do certificado apenas para quem comprovar ter viagem marcada para um país que exige o documento. O atendimento prioritário é para as pessoas que fizeram agendamento online (no caso de Congonhas, há datas disponíveis apenas para o fim de março). “Tentei fazer agendamento, mas não consegui no site. Fui no Hospital de Clínicas, mas a fila estava enorme. No (Instituto de Infectologia) Emílio Ribas só tinha agendamento para março”, conta o bartender Sidnei Oliveira, de 37 anos, que vai para Havana em fevereiro.

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Da mesma forma, o consultor de vendas Davi Bonfim, de 46 anos, foi a outros locais antes de Congonhas. “Tentei o Emílio Ribas, tentei Guarulhos, mas não deixaram porque ainda não tinha o bilhete emitido”, afirma ele, que viajará a Dubai. A capital tem oito postos de emissão do (CIVP). Com exceção do localizado em Congonhas, os demais também aplicam a vacina e, por isso, têm apresentado maior procura - grande parte por pessoas que não vão viajar.

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No Emílio Ribas, na zona oeste, por exemplo, a aplicação ocorre mediante agendamento há quase um ano. Nesta terça, havia datas disponíveis apenas a partir de abril. “Vinha mais pessoas do que a gente poderia atender. Tinha filas pela (Avenida) Doutor Arnaldo e pelo estacionamento”, comenta o diretor, Luiz Carlos Pereira Junior.

Há cerca de uma semana, a servidora pública Ana Beatriz Ielo, de 50 anos, conseguiu agendar a vacina no Emílio Ribas, mas apenas para 26 de fevereiro. “Estou tentando em outros lugares, até em clínicas particulares.” Já o assistente contábil Marcos dos Santos, de 29 anos, deu sorte: se vacinou nesta terça após ter agendado no dia 8. “Tenho planos de viajar em julho, mas ainda não sei para onde.”

Também na zona oeste, o Hospital de Clínicas optou por distribuir 500 senhas para conter a fila que se acumulava pela manhã. Elas se esgotaram por volta das 10 horas e quem chegava mais tarde era orientado a procurar uma UBS ou retornar na manhã do dia seguinte. “Trata-se de uma medida pontual para organizar a demanda”, explicou por meio de nota. 

De acordo com o hospital, os funcionários “em assistência direta” estão sendo vacinados prioritariamente, embora a reportagem tenha encontrado pessoas do setor de enfermaria na fila da imunização. “Quando tem campanha de gripe, somos sempre vacinados uma semana antes”, relatou uma funcionária que não se identificou.

No local, a caixa de loja Lindaura Rocha, de 39 anos, não tinha hora para ir ao trabalho nesta terça. Ela chegou às 9 horas e, às 13 horas, ainda estava sem a vacina. 

“Vim tomar por precaução. Trabalho perto”, afirma. Já a empregada doméstica Silvia Bernardes, de 48 anos, preferiu ir ao HC porque acredita que a vacina de lá é melhor que a aplicada no seu bairro (Campo Limpo, na zona sul) - embora a Secretaria Estadual da Saúde reitere que o produto é o mesmo em todos os locais.

 

Estrangeiro

A fila do HC também reunia estrangeiros, como o turista português Pedro Vieira, de 69 anos. Ele está desde domingo na casa da sobrinha Susana Maia, de 60, no Jaraguá, zona norte de São Paulo. “Não esperava passar por esse problema. Lá (no Canadá, onde mora) não há febre amarela. Poderiam ter avisado antes da viagem.”

 

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