Espera por ambulância chega a 5 horas em São Paulo

O resgate do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na capital paulista pode demorar até cinco horas ou chegar tarde demais. Motivo: as 85 ambulâncias que circulam pela cidade são insuficientes para atender os 10,8 milhões de habitantes. Para garantir um atendimento mínimo necessário, São Paulo deveria ter 108 viaturas básicas (com motorista e auxiliar de enfermagem) e 24 unidades avançadas (motorista, enfermeiro e médico), segundo parâmetros do Ministério da Saúde. O sistema do Samu conta hoje com 126 ambulâncias, mas só 85 estão em circulação. As outras ficam na oficina, quebradas ou em manutenção preventiva, segundo Milton Glezer, diretor do Samu na capital. Outro problema: os paulistanos têm à disposição 20 unidades avançadas para fazer o atendimento de emergência mais grave, mas apenas 10 estão com a equipe completa. "Falta médico para essas viaturas. Muitos estão afastados", disse Glezer. A coordenadora nacional do projeto Samu, Irani Ribeiro de Moura, disse que a falta de funcionários impede o envio de novas ambulâncias para São Paulo. No próximo mês a cidade deve receber 10 novas viaturas para repor as que estão em constante manutenção, mas a complementação da frota só será efetivada após a contração de novos profissionais. Diante desse quadro e da complexidade da capital, é quase impossível que os resgates com ambulâncias sejam realizados no tempo ideal. "O máximo de espera aceitável é 15 minutos. Mas procuramos trabalhar com um tempo de resposta entre 8 e 10 minutos", afirmou Irani. A Secretaria Municipal de Saúde não sabe informar quanto tempo leva em média um resgate pelo Samu. Na noite do último dia 25, Paulo Henrique Evangelista Galvão, de 21 anos, foi esfaqueado em Marsilac, na zona sul da cidade. Sua família esperou pela ambulância por uma hora e meia. O rapaz acabou sendo socorrido pela PM e levado ao hospital do Grajaú, onde morreu de hemorragia. Em média, 10% dos usuários são socorridos antes da viatura chegar. No mesmo bairro, José Alexandre de Lima, de 46 anos, foi envenenado e levado inconsciente às 10h para a Unidade Básica de Saúde (UBS) da Ponte Seca. O Samu apareceu só as 15h30, cinco horas e meia depois do chamado. "Isso porque os funcionários do posto ficaram insistindo. Quando cheguei ao hospital, o médico disse que só me salvei por Deus", afirmou o paciente. No dia 19 de dezembro, João Carlos Bellotto, de 44 anos, morador de M'Boi Mirim, também na zona sul, desistiu do socorro após uma espera de quatro horas. O pai dele, de 71 anos, tem câncer e estava com tanta dor no corpo que apenas o serviço especializado conseguiria tirá-lo da cama. O primeiro contato com o Samu foi às 19h30. "Disseram que só tinham uma ambulância para toda a região do Pirajuçara, Campo Limpo e M'boi Mirim", contou. Às 23h30, o doente dormiu de exaustão e o filho cancelou o pedido. Maria José Santos da Silva, de 48 anos, moradora em Heliópolis, também pediu e não conseguiu socorro. Ela tem inflamação na coluna, não consegue andar, nem controlar a bexiga. Precisou da ambulância do Samu três vezes na madrugada, e nenhuma apareceu. "Disseram que estavam lotados."

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2007 | 10h55

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