Esquizofrênicos não conseguem interpretar intenções alheias

Esses pacientes utilizariam sua própria experiência passada de maneira inadequada

Efe,

21 de dezembro de 2011 | 08h53

 As pessoas que sofrem de esquizofrenia têm problemas na hora de interpretar intenções alheias porque utilizam de maneira inadequada sua própria experiência passada, revela um estudo do Centro Nacional francês de Investigação Científica.

Segundo a pesquisa, reconhecer as intenções do restante das pessoas, habilidade fundamental para viver em comunidade, é uma capacidade adquirida primeiro a partir da informação visual, e depois do conhecimento e da experiência armazenados no cérebro.

O estudo partiu da hipótese de que esses dois sinais são mal utilizados por portadores de esquizofrenia, razão pela qual eles sofrem problemas na hora de decifrar esses propósitos.

A hipótese foi confirmada em pacientes que mostravam diferentes sintomas: negativos (perda de interesse), positivos (alucinações) ou de desorganização.

Após mostrar-lhes vídeos em que os atores manipulavam diferentes objetos com intenções diversas, e em seguida outros nos quais algumas sequências haviam sido suprimidas, os pesquisadores constataram que em todos os casos havia "um desequilíbrio entre a informação visual e a informação prévia, que conduzia a erros de interpretação".

Os pacientes com sintomas negativos, segundo a avaliação, não tiravam proveito da experiência passada, "como se não tivessem nenhuma expectativa sobre as intenções do outro".

Aqueles com sintomas positivos ou de desorganização utilizavam a experiência para confirmar suas próprias crenças ou vivências anteriores, independentemente dos sinais que recebiam ou viam sobre o que estava acontecendo.

Os resultados, que aparecem na versão digital da revista "Brain", poderiam servir de base para novas estratégias de terapia cognitiva "que permitam aos pacientes melhorar sua aptidão para utilizar sua experiência e diminuir as dificuldades para interpretar atos alheios", problema sobre o qual os remédios não agem.

O paradigma, na visão do artigo, poderia ser válido também para o autismo, doença que se considera com "fortes semelhanças com os sintomas negativos da esquizofrenia".

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