Tiago Queiroz/Estadão - 29/12/21
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Ministério da Saúde reduz período de quarentena para infectados com a covid-19 em todo País

Isolamento para quem tiver sintomas leves será de sete dias, mas, em caso de teste negativo no quinto dia, a quarentena já estará liberada

Weslley Galzo e Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2022 | 16h55
Atualizado 10 de janeiro de 2022 | 20h46

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira, 10, a redução do período de quarentena para pessoas infectadas com a covid-19. A partir de agora, o isolamento exigido é de no mínimo sete dias para pacientes imunocompetentes (com capacidade para produzir anticorpos), como os vacinados. É necessário que este grupo tenha apresentado sintomas leves ou moderados da doença, assim como deve estar assintomático e não ter feito uso de medicamentos antitérmicos nas 24 horas que antecedem o sétimo dia de quarentena.

O novo limite de isolamento é de 10 dias. A decisão ocorreu horas depois de a a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo ter feito anúncio semelhante também nessa segunda-feira. Mudanças no período de quarentena já haviam sido adotadas em recomendações de autoridades dos Estados Unidos, da França e no Rio de Janeiro

A pasta, no entanto, orientou aos pacientes com covid-19 a realização testes no quinto dia de isolamento, caso não apresentem sintomas respiratórios, febre e não tenha feito uso de medicamentos antitérmicos por pelo menos 24h. Em caso de resultado negativo, os infectados estão liberados da quarentena, mas devem manter as medidas não farmacológicas contra o novo coronavírus, como o uso de máscaras e o distanciamento social. Além disso, é exigido dos pacientes em recuperação que mantenham distância de pessoas com comorbidade até o 10.º dia previsto para o isolamento.

A regra prevista anteriormente pelo Ministério da Saúde era de 14 dias de isolamento ininterruptos. De acordo com a pasta, foram utilizados como referências os protocolos de referência do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, e do Sistema Nacional de Saúde (NHS), da Inglaterra.

“Sem dúvidas, a variante Ômicron causa um número muito maior de casos, temos observado esse aumento, mas, felizmente, ainda não temos a correspondência em número de óbito”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. “Estamos nos preparando para ampliar algumas políticas, como a de testagem”. Queiroga informou que até o final de janeiro serão distribuídos 28 milhões de testes rápidos para autotestagem. Nos próximos 15 dias, devem ser distribuídos 13 milhões de testes.

"A gente trabalha para trazer uma esperança para o povo brasileiro. Se Deus quiser, nos próximos meses, uma notícia boa para dar para a sociedade brasileira é o fim da covid-19. Nós temos essa esperança e todos aqui do Ministério da Saúde vamos trabalhar muito duro para isso", disse o ministro.

Mais cedo, o secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, pontuou que é preciso avaliar de forma correta o início dos sintomas. Segundo ele, a transmissão ocorre nos primeiros três dias de sintomas e os prazos estabelecidos são de comum acordo com o Ministério da Saúde.

No Estado, a média diária de novas internações pela covid-19 subiu de 350 para 718 nas quatro últimas semanas. A média de mortes também voltou a subir: de 14 para 22 nas duas últimas semanas. São Paulo, assim como outras regiões do Brasil, tem visto o aumento de hospitalizações de pacientes com sintomas gripais, diante do avanço da influenza (gripe) e da Ômicron, variante mais contagiosa do coronavírus. A ocupação dos leitos de UTI é de 35,26% no Estado e Gorinchteyn prevê que essa taxa atinja 50% na próxima semana.  

A redução do período de quarentena para infectados pelo novo coronavírus divide cientistas. Entidades da área de saúde, como a Associação Médica Brasileira (AMB), veem margem para diminuir o isolamento, mas acham o prazo inferior a uma semana arriscado.

A França também autorizou, na semana passada, que profissionais de saúde assintomáticos voltem ao trabalho, ainda que com resultado positivo para o coronavírus. A redução da quarentena foi adotada diante do elevado afastamentos de médicos e enfermeiros e a sobrecarga dos hospitais. 

Na cidade do Rio, a regra de cinco dias para assintomáticos já funciona. "Eles só retornam ao trabalho depois da testagem. E, para os sintomáticos, a gente trabalha com um intervalo de sete dias. Se os sintomas forem mais graves, determinamos um afastamento maior. E precisa da negativa do teste", disse o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, ao Estadão na semana passada.

NOVAS REGRAS

Cinco dias: vale para pacientes sem sintomas respiratórios, febre ou uso de antitérmico nas 24 horas anteriores. Deve apresentar teste de RT-PCR ou de antígeno com resultado no 5.º dia;

Sete dias: pacientes assintomáticos estarão liberados da quarentena sem necessidade de apresentar teste. Para os sintomáticos devem apresentar exame negativo e não ter sintomas respiratórios, febre e usar antitérmicos nas 24 horas anteriores;

Dez dias: pacientes que apresentarem sintomas e teste positivo no 7.º dia de isolamento;

Exceção: caso o paciente assintomático apresente teste positivo no 5.º dia, deverá se manter isolado até completar dez dias.

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